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Archive for janeiro \29\UTC 2013

Com a proximidade da entrega das estatuetas do Oscar sempre chega aos cinemas uma comédia inteligente que agrada críticos, públicos e produtores. Foi assim com “Pequena Miss Sunshine”, “Juno” e “Os Descendentes”. Esse ano a bola da vez foi “O Lado bom da Vida”, novo filme de David O. Russel, competente diretor de “O Vencedor”, que também assina o roteiro.

Pat Solitano (Brandley Cooper) é um jovem internado em um clinica de reabilitação após uma crise de ansiedade por conta do fim de seu relacionamento com Nikki. Apos 8 meses sua mãe assume os riscos e leva o paciente para casa. Entretanto, Pat não está completamente recuperado, fazendo com que ela e seu marido (vivido por Robert De Niro, vivendo um viciado em apostas), passem a conviver com os surtos de Pat.

A história ganha um outro rumo com a chegada de Tiffany (Jenifer Lawrence), uma viúva maníaca depressiva, que se aproxima de Pat com propostas bizarras como participar de uma competição de dança e insinuar fazer sexo grupal. Em um primeiro momento o rapaz resiste, mas logo sede a pressão com a promessa da moça de ajudá-lo a reatar seu relacionamento com sua ex.

A fita basicamente é uma comédia romântica muito bem escrita, contudo não teria o mesmo brilho sem Jenifer Lawrence que rouba o filme para ela. Prova disso é que a moça foi indicado para o BAFTA, Globo de Ouro (ganhou) e Oscar 2013.

Outra curiosidade é a fiel reprodução dos sintomas de crises bipolares dos personagens principais. Quem conhece sabe que o ansioso distorce a realidade, fala compulsivamente, tem variação de humor entre depressão e euforia, além de várias manias.

“O Lado Bom da Vida” agrada quem procura uma comédia romântica bacaninha e com algum conteúdo, na maioria mulheres. Tanto pela atuação de Jenifer Lawrence, tanto na recriação do curioso universo dos dependentes de Rivotril e Frontal.

bebe sorri

O lado bom da vida

 

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Apesar do nome remeter a uma cinebiografia, o novo filme de Steven Spielberg não se concentra na história de vida de Abraham Lincoln, já que foca no processo de aprovação da 13ª Emenda da constituição americana, que oficializa a abolição dos escravos afro-americanos. Processo histórico, porém não muito prazeroso de se acompanhar durante as 2 horas e 30 minutos de projeção. O resultado é uma película com atuação principal quente e roteiro frio.

Mesmo assim, prefiro a atuação de Henry Fonda em “O Joven Sr. Lincoln”, dirigido pelo mito John Ford, em que é retrato o primeiro trabalho do 16° presidente norte-americano como advogado em um surpreendente caso de assassinato. Daniel Day-Lewis, que talvez seja o melhor ator em atividade, continua convincente, contudo excessivamente caricato, dando a impressão de ser mais um mito que um ser humano. Essa afirmação vai de encontro com a frase do filme “O homem que matou Facínora” do mesmo Ford, “Quando a lenda se torna fato, imprime-se a lenda”.

A caricatura não chega a atrapalhar, o filme transcorre bem com o ator de “Meu Pé Esquerdo”, e não seria injusto se ganhasse a estatueta de melhor ator. O que atrapalha é a grande quantidade de diálogos mornos que não fazem o roteiro avançar muito, dando a impressão que a produção impecável, a fotografia bem feita e as muitas pausas dramáticas vão transformar o fraco argumento em um clássico do cinema. Ledo engano.

Somado a isso, as atuações do elenco de apoio são irrelevantes, Sally Field não convence toda a angustia transmitida pela sua irritante gagueira emocional, Tomy Lee Jones continua o mesmo ranzinza de “Homens de Preto” e Joseph Gordon-levitt, um dos bons atores americanos da nova geração, não possui um personagem em que possa mostrar a sua melhor faceta. Sobra Daniel Day-Lewis.

Talvez Steven Spielberg, que não faz um trabalho interessante como diretor desde “O Resgate do Soldado Ryan”, funcionasse melhor como produtor e deixasse a direção a cargo de um ator como George Clooney ou Clint Eastwood o resultado poderia ter sido mais agradável. O que resta é ver o filme sob ótica de retratação de Período histórico, correto, bem feito, contudo excessivamente burocrático.

bebÊ dorme

Captura de tela 2013-01-23 às 09.39.46

 

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Ainda estou sob o efeito do fim de sessão de “Django Livre”, novo filme de Quentin Tarantino, portanto posso exagerar em alguns momentos. Porém a primeira impressão do Werstern, do diretor de Cães de aluguel, é de que este foi seu melhor filme desde “Pulp Fiction”. Longe de ser apenas uma homenagem aos chamados faroestes espaguetis, a trajetória de Django faz graça de um sangrento e polêmico Período da história americana, sem deixar de ser profundo.

Todos os elementos do universo do cineasta estão presentes na trama, trilha sonora descolada, sangue exagerado, tiradas inteligentes e muito humor negro (considere o trocadilho). Com destaque para a sequência em que membros de um grupo racista discutem a necessidade de sacos brancos em suas cabeças durante um ataque, em clara alusão à Ku Klux Klan.

A história começa com Django, personagem do apagado Jamie Foxx, preso, caminhando com outros escravos, ao som do tema cantado por Luis Bacalov, em homenagem ao filme original de 1966, dirigido por Sergio Borgucci, e estrelado por Franco Nero, que faz uma participação especial no longa. Em seguida entra em cena Dr. Schultz, Cristoph Waltz, um ex-dentista alemão, agora caçador de recompensas, que liberta o herói em troca de sua ajuda para reconhecer três bandidos foragidos. Após o serviço os dois se unem para resgatar a mulher do ex-escravo, que vive como serva de Calvin Candie, personagem de Leonardo DiCaprio, estranhamente fora do Oscar.

O filme é uma sequência, não oficial de “Kill Bill” e “Bastardos Inglórios”, pois trata do tema vingança dos desamparados, na ordem, mulheres, judeus e negros. Contudo, desta vez, o diretor faz, além de um banho de sangue, uma explicita exibição do passado xenofóbico americano. Levantando questões sobre a origem do problema, deixando claro através do personagem de Waltz, que não foram somente as influências européias que geraram tamanha crueldade na forma como esta nova sociedade tratavam seus afro-descendentes.

Dois outros fatores chamam muita atenção sobre o tema, primeiro é o fato de que em grande parte das sangrentas cenas de ação, terem como trilha o hip-hop, comumente usadas nos filmes de gangues atuais. Segundo, é o comportamento de Django, que começa o filme como um inexpressivo analfabeto, e que, a medida que vai sendo reeducado pelo seu amigo alemão, começa a desenvolver sua inteligência e capacidade de discernimento, que no fim ganham mais destaques que suas balas, contrariando a pesada cena em que o personagem de Leonardo DiCaprio faz uma análise do cérebro de um serviçal negro.

Ainda há muito debate para ser feita sobre a película, entretanto já fica claro que o roteiro vai muito além do bang-bang e dos argumentos  que criticaram a produção, feitas pelo sempre apagado Spike Lee. Trata- se de argumento arriscado, que beira a ofensa, todavia executado de forma brilhante e que não deixa dúvidas sobre a boa intenção do diretor americano, que incita a discussão sem deixar o humor de lado.

“Django Livre” é a produção que trás Tarantino de volta aos seus momentos mais brilhantes, sendo um daqueles filmes que foram feitos para serem vistos várias e várias vezes.

bebê aplaude

Captura de tela 2013-01-20 às 21.21.24

 

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