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Archive for junho \30\UTC 2010

Olá, Amigos de Portugal,

Essa semana assisti, tardiamente, ao longa metragem “É Proibido Fumar”, vencedor de 5 troféus do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, principal celebração da nossa arte cinematográfica. Estrelado por Gloria Pires e Paulo Miklos (vocalista da banda Titãs) , e dirigido por Anna Muylaert, que levou o prêmio da categoria, o longa faz uso de muita criatividade e humor negro para divertir e chocar a platéia.

Mesclando diversas referências, da angústia de Crime e Castigo de Dostoiévski  à leveza das melhores comédias contemporâneas, a produção privilegia o melhor da cultura pop brasileira, principalmente no que diz respeito às músicas escolhidas como trilha sonora, em uma verdadeira salada multicultural, que vai do samba de Martinho da Vila ao Swing de Jorge Benjor.

Esta verdadeira  viagem no tempo através da música brasileira faz propagar um  clima nostálgico, como em Durval Discos – primeiro longa da diretora de 2002 -, que apresenta o cotidiano de um ultrapassado vendedor de discos de vinil, que se nega a entrar para o mercado de CDs.

Já em “É Proibido Fumar”, acompanhamos o dia a dia de Baby (Gloria), uma professora de violão, fumante compulsiva, que vê sua vidar mudar de rumo ao se  apaixonar por Max (Miklos), um músico falido, ainda apaixonado pela ex-esposa.  Esta relação será o estopim para diversas situações ora engraçadas, ora tensas, que revelam a complexa transformação da personagem principal, que, dentre outras mudanças, precisa largar o cigarro para agradar ao novo namorado.

“É Proibido Fumar” só comprova o amadurecimento de uma das mais promissoras cineastas brasileiras, evidenciando seu total domínio narrativo, que tem seu ápice no brilhante desfecho. Comprovante de que todos os elogios e prêmios foram realmente merecidos.

Bruno Marques diretamente do Rio de Janeiro para o c7nema.net (Portugal)


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Flor do deserto

Do Deserto Para o Mundo

Por Bruno Marques

29/06/2010

Poucas histórias levadas ao cinema conseguem ser tão especiais que se sobrepõem ao método que são levadas à grande tela. “Piratas do Vale do Silício”, produção sobre o nascimento da era da informática, que apresenta a disputa por patentes entre a Microsoft e a Apple, realizada diretamente para a TV, é a prova concreta de que uma grande história, às vezes, não necessita de grandes artifícios narrativos para conseguir atrair a atenção do público.

Caso parecido acontece com  Flor do deserto (Desert Flower, 2009), dirigido pela americana Sherry Horman, baseado na biografia da ex-modelo somali Waris Dirie (Liya Kebede), que teve seu clitóris decepado aos 3 anos de idade, por conta de um costume  milenar da tribo nômade da qual ela e sua família faziam parte. Segundo dados contidos nos créditos finais, cerca de 6.000 meninas sofrem o mesmo  tipo de atrocidade todos os dias, grande parte delas não conseguem sobreviver ao  ritual macabro, como foi o caso de duas irmãs da ex-modelo.

Aos 13 anos, após ser vendida como esposa para um velho comerciante, Waris fugiu para o deserto e, milagrosamente, conseguiu sobreviver e chegar à Europa, enviada pela avó materna. Se tudo terminasse no relato desse sangrento costume e da incrível fuga, a experiência já valeria o ingresso, porém a sorte realmente estava do lado da “Flor do deserto” (Waris a partir de tradução do dialeto somali), pois alguns anos após sua chegada à Londres, foi descoberta por um renomado fotógrafo,  que deu a ela o impulso para o estrelato na indústria da moda.

Aparentemente o trabalho de Smita Bhide, responsável pela adaptação do livro, não foi dos mais árduos, já que a história, por si só, aparenta ter a construção de um roteiro dramático, ao mostrar que a dura existência da modelo só estava começando quando foi feita a mutilação, pois as marcas dessa agressão foram, e continuam sendo, carregadas pelo resto da vida Top Model, resultando em danos psicológicos irreparáveis .

Outro fator primordial para o êxito da produção é, sem dúvida, a atuação de Liya Kebede – também nascida na África, mais precisamente na  Etiópia -, que garante um assombroso realismo à trama, já que sua trajetória em muito se parece com a da própria Waris. Mas, não espere rios de lágrimas, ou cenas de autopiedade explícita, poucas são as cenas em que vemos lágrimas no rosto de Liya. Todas as angústias da personagem são evidenciadas com pequenos indícios, que vão do olhar vazio da moça, ao sorriso sem graça de quem sente-se completamente fora dos costumes europeus.

O grande defeito da fita fica por conta da falta de originalidade narrativa – por vezes parece um telefilme muito pouco pretensioso- , o que acarreta na previsibilidade da trama do meio para o fim. Mesmo assim, estes “defeitos” não acarretam na perda de foco da história, já que não tenta ampliar as cenas mais dramáticas, deixando a emoção ser aflorada de forma natural, o que já é um grande feito.

Flor do deserto funciona brilhantemente como uma das peças em prol da militância de Waris contra costumes culturais que ultrapassam a linha entre os conceitos culturais, que obviamente devem ser respeitados, e a barbárie. Alertando o mundo para um problema que, antes do relato da modelo para a revista Marie Claire americana, parecia tão distante da nossa realidade.

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Patrick, Idade 1,5

O Bebê Adolescente

Por Bruno Marques

28/06/2010

Patrick, Idade 1,5 (Patrik 1,5, 2008) poderia ser um filme comum sobre um casal que decide adotar uma criança e descobre que a criança é uma verdadeira peste. Esta premissa já foi levada às telas tanto em comédias rasgadas como “O Pestinha”, quanto em suspenses demoníacos como é o caso de “A Profecia”. Todavia, a grande originalidade do filme sueco é transportar a situação para debaixo do teto de um casal gay.

As inovações, infelizmente, param por aí, já que a história deixa ser levada pela correnteza da previsibilidade durante seus 103 minutos, investindo na antecipação dos conflitos como forma de situar o espectador antes de qualquer reviravolta.

A trama, escrita por Ella Lemhagen – também diretora da produção-, começa a partir da procura do casal formado pelo médico Göran Skoogh (Gustaf Skarsgård) e Sven (Torkel Petersson) por um filho adotivo. Logo os dois recebem a notícia de que foi concedida a custódia de Patrick (Thomas Ljungman), um “trombadinha” homofóbico, de 15 anos. A idade “1,5”, que o título se refere diz respeito ao erro responsável por fazer com que os dois pombinhos achassem que ao invés de quinze, o jovem teria um ano e meio de vida, começando assim a grande confusão que impulsiona o roteiro até seu final.

Só com esses indícios já dá para prever como tudo irá terminar. O que sobra então é o bom humor de algumas cenas, sem perder o tom melancólico nos momentos em que é retratado situações de homofobia sofrida por Göran e Sven. Esta estrutura híbrida consegue divertir sem deixar de ser tocante, principalmente nas cenas em que é focado o crescente afetivo da relação entre o adolescente e o médico, que aos poucos vão construindo laços familiares por conta da convivência.

Patrick, Idade 1,5 pode ser descrito como uma comédia gay, principalmente pela forma explícita como é mostrada a relação do casal – com direito à cenas picantes -, mas consegue ampliar seu público graças ao realismo com que questões como preconceito e burocracia das leis de adoção são apresentadas, fugindo tanto da panfletagem quanto da ingênua construção fantasiosa de um mundo perfeito em que gays e héteros convivem em plena harmonia.

No fim das contas, mesmo com um final completamente previsível, o que realmente fica de recordação é a bela relação entre pai e filho, mostrando que o mais do mesmo, quando bem feito, vale a pena ser assistido.

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15 Anos e Meio

Sinais do Tempo

Por Bruno Marques

23/06/2010

Foi se o tempo em que o cinema francês era sinônimo de vanguarda, cinema social ou realismo poético. Atualmente grande parte das produções provenientes do país de Godard e Jean Vigo refletem a forte tendência do cinema mundial – que agora compete não só com a TV, mas com uma centena aparelhos cada vez mais interativos – de proporcionar emoções “recicladas”, em outras palavras, um cinema que pouco proporciona novas experiências, investindo na previsibilidade como forma de atrair público.

Exemplo cristalino desse método, 15 Anos e Meio (15 ans et demi, 2008), escrito e dirigido pela dupla François Desagnat e Thomas Sorriaux, parece uma grande colagem de formulas usadas em outros filmes, que vão desde as alucinações de Russell Crowe em Uma Mente Brilhante” até as discórdias familiares entre Cher e Winona Ryder em  “Minha Mãe é Uma Sereia”.

Seu script narra os diversos conflitos entre o renomado cientista Philippe Tallec (Daniel Auteuil) e sua filha Églantine (Juliette Lamboley), a partir do momento em que primeiro volta à França, depois de um longo período nos Estados Unidos, aproveitando a oportunidade como forma de reaproximação, na esperança de compensar o tempo perdido durante sua estadia  no país do Tio Sam. Todavia, Philippe descobrirá, da pior forma possível, os mistérios da adolescência moderna, que inclui festas, blogs e, principalmente, o descobrimento da sexualidade cada vez mais cedo.

15 Anos e Meio é, em sua grande parte, extremamente arrastado. Só não passa completamente desapercebido por conta do seu agradável design – investindo no colorido dos ambientes e das roupas – e por suscitar a discussão sobre a adolescência na contemporaneidade. Porém como cinema o longa não se difere de  outras comédias familiares que chegam, quase que diariamente, às salas de exibição.


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Queridos leitores, nessa semana de jogo decisivo entre dois países irmãos, é com muito orgulho que  trago a incrível notícia de que o blog Bruno cine – meu pequeno Frankenstein – cruzou o Atlântico e foi parar em Portugal. A partir dessa semana terei uma coluna semanal sobre cinema brasileiro no site www.c7nema.net, divulgando o nosso mercado na parte de cima do hemisfério, em um dos mais importantes sites de cinema da terrinha.

Mais uma vez muito obrigado pelos acessos tanto aqui no Brasil, quanto em Portugal, sem vocês não teria chegado tão longe.

Bruno Marques


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Imagine um filme que conta uma história de amor entre Jude e Lucy e que usa músicas dos Beatles como trilha sonora. Imaginou? É difícil achar que um filme assim poderia dar errado, mas, foi o que aconteceu. Culpa da história, dirigida por Julie Taymor, que mais parece uma colcha de retalhos, ou melhor, um trem desgovernado que não sabe para onde ir.

Contando com  grande referência da trajetória banda, Across the Universe (2007) peca por achar que apenas as músicas resolveriam os problemas da produção. Por sinal, estas  foram regravadas com a intenção dar uma nova roupagem para a discografia dos cinco rapazes de Liverpool – contando, inclusive, com Bono Vox como interprete de I Am The Walrus –, mas que, no fim das contas, lembra versões feitas para um comercial de curso de inglês.

É inegável que Julie Taymor teve muita coragem para assumir tamanha responsabilidade, entretanto o resultado é irrelevante, já que acontecimentos  do tipo: Reforma da Esfinge, ensinar latim e fazer cover  de sucessos dos Beatles são coisas pouco originais.

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Clichê Eficiente

Por Bruno Marques

11/06/2010

Quem conhece o escritor Nicholas Sparks – autor de “Querido John” e “Diário de Uma Paixão” – sabe muito bem o que esperar de um filme baseado em uma de suas obras: melodramas juvenis, feitos para causar desidratação profunda,  por conta da choradeira,  em pessoas adolescentes sensíveis; levando a crer que suas obras são releituras de uma mesma “receita de bolo”. Mas, todo esse sucesso não veio por conta do acaso, pelo contrário, o escritor realmente tem talento para a coisa, tanto que a estrela mirim, Miley Cyrus (Hannah Montana), escolheu uma de suas obras para dar início à fase adulta de sua carreira.

Em A última Música (The Last Song, 2010), a moça interpreta Ronnie, uma adolescente problemática, que chega à casa de seu pai, Steve Miller (vivido pelo bom ator Greg Kinnear), localizada em uma pequena cidade litorânea do sul dos Estados Unidos, para passar o verão. Acidentalmente  conhece Will Blakelee (Liam Hemsworth),um jovem popular, de família rica, iniciando, a partir daí, a velha trama da gata borralheira com grandes influências da série Crepúsculo – tanto pelo visual gótico da menina, quanto pela luta para ser aceita em uma nova cidade.

Quando tudo indicava que as coisas parariam por aí, eis que a parábola do filho pródigo vem à tona. Ronnie guarda magoas de Steve pelo fim do relacionamento entre ele e sua mãe. Em meio a este conflito Jonah Miller (interpretado pela agradável surpresa Bobby Coleman), irmão de Ronnie, tentará unir os dois brigões. Esse conflito acarretará em surpresas desagradáveis, dentre elas a justificativa do título.

Longe de ser memorável, A última Música, parece ter sido feito sob medida para seu público alvo, conseguindo emocionar sem ser irritante em grande parte de seus 107 minutos – com exceção dos intermináveis vinte minutos finais, quando a choradeira acaba passando do ponto. Provavelmente a produção dará sobrevida à carreira de Miley Cyrus, pois aparenta estar em sintonia com o que as novas gerações querem assistir.

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