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Archive for janeiro \31\UTC 2010

A Estrada

O Fim do mundo – Novamente

Por Bruno Marques

08/04/2010

Um dos efeitos colaterais do aquecimento global, e que provavelmente ninguém contava, é o grande número de produções cinematográficas que visam supor como será a vida no planeta após ser devastado pelo aquecimento global. “O dia depois de amanhã”, “2012” e “Uma verdade inconveniente”, são exemplos de produções que competem com Nostradamus e o livro do Apocalipse, na função de prever como ficará a face da terra após o começo de intensas tempestades, inundações e maremotos, causados pelos eventos cataclísmicos previstos por Al Gore, Bono Vox, entre outros.

“A Estrada” (The Road,2009), adaptação do livro homônimo do escritor Comac McCarthy, dirigido por John Hillcoat, mostra o lado mais humano por trás da provável devastação, deixando de lado a pirotecnia e o  festival sádico de assistir a humanidade sendo destruída. Tanto que a fita começa após o início dos acontecimentos, focando sua uma abordagem no esforço de um sobrevivente em  preservar sua humanidade.

Viggo Mortensen, o Aragorn da trilogia “O senhor dos Anéis”, dá vida a este homem, um andarilho barbudo, sujo e magro, que vaga ao lado de seu filho (Kodi Smit-McPhee) em direção ao Sul dos Estados Unidos à procura de um novo lar. Em seus caminhos apenas destruição, fome e poucos sobreviventes, sendo alguns deles praticantes de canibalismo.

Totalmente narrado na primeira pessoa, sob o ponto de vista do personagem de Mortensen, “A estrada” conta com ritmo cadenciado, muito diferente do que Hollywood se acostumou a realizar. São muitos os momento de silêncio, câmera fixa, além de informação irrisórias sobre os personagens, nem mesmo seus nomes são apresentados.

Poucos são os fatores que os remetem à vida anterior ao desastre, sentimentos de amor ao próximo e compaixão ficam a cargo apenas da cumplicidade entre pai e filho, todos os outros sobreviventes são encarados como ameaça ou por vezes como alimento.

Alguns pequenos flashbacks durante o desenvolvimento da trama mostram a vida do protagonista logo após o início da desgraça ambiental. Sua relação com sua ex-esposa (vivida por Charlize Theron) e o nascimento de seu filho. Entretanto, nenhuma grande revelação é adicionada, ficando ao espectador a função de preencher as lacunas da história.

Talvez a adaptação não tenha o mesmo impacto do livro, já que logo após as primeiras cenas de cadáveres mutilados e cidades destruídas, o espectador fica ambientado ao caos, fazendo com que as cenas fortes fiquem redundantes. O que sobra de atrativo é a construção dos personagens e seus conflitos morais- como nos momentos em que o pai ameaça matar o filho como forma de protegê-lo do sofrimento,ou na cena em que rouba as roupas de uma andarilho.

Talvez o maior mérito da produção seja sair ileso da difícil missão de adaptar uma história tão brutal sem cair nos clichês comuns aos gênero, oferecendo uma visão menos barulhenta para o chamado cinema catástrofe.

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Zumbilândia

“Zumbilândia” (Zombieland,2009) não é um filme de terror, muito menos uma comédia, talvez o diretor Ruben Fleischer tenha tentado realizar a fusão dos dois estilos, porém o máximo que conseguiu foi realizar um terror que não assusta, misturado com comédia que não faz rir.

Do percursor “White Zombie” (Zumbi Branco) de 1932, estrelado por Bela Lugosi, passando pelos clássicos de George A. Romero, até chegar ao recente sucesso espanhol “REC”, poucas mudanças foram incorporadas ao gênero, o que prova que os fãs de mortos-vivos aprovam o “mais-do-mesmo” do estilo, talvez por isso “Zumbilândia” seja tão desnecessário.

O roteiro conta a história de Columbus (Jesse Eisemberg), um jovem nerd, que milagrosamente se torna o último sobrevivente de sua cidade repleta de zumbis. Durante suas fugas diárias, Columbus desenvolve um tipo de manual com regras de sobrevivencia . Eis que em de suas fugas conhece Tallahasee (Woody Harrelson), um especialista em matar Zumbis, começando assim uma sangrenta viagem pelo apocalíptico mundo de Zumbilândia.

Ao longo dos anos várias sátiras de filmes de terror chegaram aos cinemas, todas investindo integeralmente no humor para guiar suas tramas . No caso do filme de Ruben Fleischer não fica claro se esta foi sua intenção, já que por várias sequências o diretor aposta em cenas de ação, que remetem filmes como “300″ e “A guerra dos Mundos”.

Em toda produção cinematográfica, no início da projeção, os realizadores propõem um acordo com o espectador, do tipo: “Sente-se e assista um terror”. Durante Zumbilândia ficamos com a impressão de que o diretor não propõe um estilo bem definido. Obviamente este trato pode ser quebrado durante o desenrolar da trama, desde que feito de forma clara e intencional, caso contrário, o público fica sem saber ao certo qual tipo de história está acompanhando.

De bom em Zumbielândia há apenas a participação especial de Bill Murray, vivendo ele mesmo, sendo o único que consegue proporcionar alguns momentos engraçados. Além dele a curiosa presença de Abigail Breslin chama atenção, mais conhecida por protagonizar o sucesso “Pequena Miss Sunshine”, Breslin, agora uma adolescente de 13 anos, forma dupla de trapaceiras com Emma Stone, que por sua vez participou anteriomente de “Superbad” e no chato “A casa das coelhinhas”.

Fora isto, apenas um monte de situações grotescas recheadas de piadas sem graça. Ou seja, um verdadeiro desperdício de tempo. Portanto, faça como os protagonistas do longa: Fuja de Zumbilândia.

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Um homem sério

Escrito, dirigido e produzido por Joel Coen e Ethan Coen, “Um homem sério” (A Serious Man,2009) é um claro representante do tipo de  temática predileta dos irmãos cineastas: A vida de um homem comum que se vê obrigado a agir contra sua vontade .

O inexpressivo Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg), protagonista do longa, é um desses representantes. Um judeu, professor de física da Universidade de Midwestern, que vive em um típico subúrbio americano no final dos anos 60, e vê sua vida virar de cabeça para baixo, após receber a notícia que sua esposa Judith (Sari Lennick) o está deixando para viver com seu amante, um  ultra-racionalista chamado  Sy  Ableman (Fred Melamed), que propõe à Larry encarar a atitude infiel de sua esposa apenas como um momento de transição.

Além do fim de seu matrimonio, o “pobre diabo” convive com seu fracassado irmão Arthur (Richard Kind); um vizinho neurótico, e seu casal de filhos problemáticos. Danny, o caçula, um rebelde pré-adolescente  viciado em maconha, e Sarah (Jessica McManus) por vezes furta dinheiro do pai no intuito de realizar uma operação plástica no nariz.

No que diz respeito a sua vida profissional, Larry se concentra em complexos cálculos matemáticos, que visam dar algum sentido para o mundo. Paralelamente, é  chantageado por Clive Park, um péssimo aluno koreano, que fará de tudo para conseguir passar de ano.

Assim como Jeffrey Lebowski e Ed Crane, anti-heróis de “O grande Lebowski” e “O homem que não estava lá”, o protagonista acompanha passivamente os conflitos sem tomar nenhuma atitude, aparentemente esperando por algum tipo de justiça divina.

Qualquer semelhança do roteiro com a parábola de Jô não é mera coincidência, entretanto, Larry, diferentemente do personagem bíblico, não crê completamente no poder divino, tanto que passa grande parte da película procurando por respostas que façam com que sua fé seja restaurada, através de três encontros com diferentes rabinos, Larry Gopnik tentará obter a compreensão de suas contestações.

Claramente menos pretensioso que seus dois trabalhos anteriores (“Onde os fracos não te vez” e “Queime depois de ler”), Um homem sério aparentemente não tem a obrigatoriedade de agradar  ninguém, vide o elenco recheado de desconhecidos, passando pelo desenvolvimento que privilegia longos diálogos, até seu desfecho um tanto quanto inusitado. Provavelmente o longa  estará de fora da lista dos melhores trabalhos dos irmãos. Mesmo assim, não comprometerá em nada suas bem sucedidas  carreiras.

Talvez o grande problema da produção seja o tom existencialista abordado, similar ao estilo de Woody Allen, e que não agrada o grande público, acostumado com histórias menos subjetivas.

Já para aqueles que gostam do estilo dos Coen’s  assistir ao filme não será castigo nenhum, principalmente por conta da deliciosa trilha sonora, tanto no que diz respeito as músicas inéditas compostas por Carter Burwell (compositor predileto dos diretores), quanto pelas antigas. Sem esquecer do tom sarcástico e violento, já recorrentes na filmografia da dupla.

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Invictus

Depois da saia-justa causada pela declaração de Spike Lee sobre a opção de Clint Eastwood em não incluir nenhum ator negro em seus dois filmes sobre a 2ª Guerra Mundial (“A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”), eis que o destino fez com que o protagonista de “Por uns Dólares a Mais” fosse convocado por Morgan Freeman para dirigir a adaptação  do livro “Playing the Enemy”, de John Peyton, sobre a chegada de Nelson Mandela ao poder da África do Sul em 1994, e sua estratégia de usar o mundial de rugby do ano seguinte como forma de unir e enterrar os rancores do povo sul-africano após o fim do apartheid em 1990.

“Invictus” foi o nome escolhido para o projeto, um filme sobre a esperança e fim da intolerância entre as raças, propostas de Mandela em seu governo, e que pode soar como resposta às críticas feitas pelo diretor de “Faça a Coisa Certa”.

Morgan Freeman (“Menina de Ouro”), além de produzir, dá vida ao ex-presidente, contracenando com Matt Damon (“Supremacia Bourne”), que por sua vez interpreta François Pienaar, capitão da seleção de rugby às vésperas da Copa do Mundo.

O longa segue os passos de ambos os personagens em suas buscas pessoais. Mandela, em meio a desconfiança por parte dos brancos sul-africanos, procura uma forma de fazer com que o preconceito racial desapareça de uma vez por todas, já Pienaar se esforça para transformar sua fraca seleção em uma time competitivo, capaz de vencer um dos maiores torneios do esporte. Os dois líderes unirão forças em prol de seus objetivos, usando o esporte como metáfora de superação e ponte para o sucesso.

O que vemos é uma produção bem didática. Quem não conhece muito sobre o apartheid e aqueles que não entendem nada sobre rugby não terão dificuldades em seguir a trama. “Invictus” não difere do modelo cinematográfico que Eastwood se acostumou a fazer, seguindo à risca uma narrativa classicista (convencional), que favorece os espectadores mais preguiçosos, já que tudo que precisamos saber sobre a trama e os personagens são apresentadas da forma mais clara e linear possível.

O filme não desagradará aos fãs do veterano diretor. Nesse tipo de cinema tradicional, Eastwood é mestre, além de contar com uma exemplar atuação de Morgan Freeman, absolutamente soberbo na difícil tarefa de representar uma lenda viva da política internacional.

Mas, apesar do saldo positivo, “Invictus” não será lembrado como um dos principais filmes de Clint Eastwood. Ele não ultrapassa o registro histórico, ao apresentar um pouco da filosofia de vida de Nelson Mandela e sua estratégia de unir o negros e brancos por meio do esporte. Spike Lee com certeza não esperava por essa.


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NOTAS

Visando a melhor compreensão das notas que atribuo aos filmes,  elaborei uma nova forma de avaliar as produções. É bem simples, são cinco notas representada por bebês, veja as categorias:

Espero assim deixar claro em qual nota a produção criticada se enquadra.

Um Forte abraço a todos.

Bruno Marques

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Amor sem escalas

Mandando tudo pelos Ares

Por Bruno Marques

20/01/2010

Todos aqueles  que conhecem bem o mundo executivo sabe que cartões de fidelização de clientes  tanto de companhias aéreas,  hotéis ou aluguel de automóveis são bem mais que um programa de fidelidade que premia seus clientes com passagens aéreas ou descontos em hotéis e assinaturas de revistas. O serviço oferece a possibilidade de ser membro de um clube seleto de pessoas, ou mais ainda, ser considerado um ser humano mais importante que os outros. Em Amor sem escalas (Up The air,2009), George Clooney interpreta um desses seres humanos, um executivo bem sucedido, que amar  viver voando de uma cidade para outra, sem nenhum tipo de relação com outras pessoas, sendo pago para demitir funcionários de empresas em recessão.

Realizado por Jason Reitman, do ótimo “Juno”, o filme se passa em diversas cidades americanas acompanhando os passos de Ryan Bingham em sua árdua função, que na verdade é exercida de forma competente, tanto que o personagem se entitula como um verdadeiro tubarão, que se alimenta do emprego de pobres funcionários que passam por cortes. Eis que a  crise internacional ganha proporções tão grandes quanto as da quebra da bolsa de valores de 1929, fazendo com que não falte trabalho para Ryan, entretanto a jovem Natalie Keener (Anna Kendrick), uma jovem executiva recém saída da universidade, entrará no caminho do protagonista,  implementando uma nova ferramenta em sua empresa: Demissões via vídeo conferência. Este artifício colocará não só o emprego de Ryan em perigo, mas também todo seu estilo de vida.

O roteiro  retoma a abordagem sobre seres humanos que atuam em empregos de moral discutível, feita pelo mesmo diretor em  “Obrigado por fumar”, que mostrava o cotidiano de Nick Naylor, porta-voz de uma das grandes empresas da industria do tabaco, que assim como o executivo de Amor sem escalas, é odiado por todos, pois vive as custas da desgraça dos outros, mesmo não encarando seu ofício desta forma e  procurando sempre ver o lado bom de seu trabalho.

Porém desta vez o diretor investe menos no tom sarcástico característico da produção de 2006, apostando em uma reflexão mais existencialista que fala sobre a dualidade entre trabalho e vida pessoal.O resultado é um roteiro impecável, assinado pelo próprio diretor em parceria com Sheldon Turner , possui diálogos excelentes e narrativa atraentee é diversão garantida. Tanto que com apenas 10 minutos de projeção é impossível tirar os olhos da tela, pois além da trama principal focada no cotidiano de Ryan e seu discutível emprego, as tramas paralelas são ótimas. Tanto no relacionamento de Ryan com Alex (Vera Farmiga), quanto o casamento da irmã do protagonista,  que rendem desfechos formidáveis ganhando até mais destaque que a própria trama principal.

George Clooney por sua vez está melhor do que nunca,  muito convincente em sua atuação como executivo solitário, que mais parece  Peter Fonda em  Easy Rider, que ao invés de  motoqueiro é um assíduo passageiro de companhia aérea.

Há muitas formas de enquadrar Amor sem escalas em vários gêneros, mas com certeza não em um filme de amor do qual o péssimo título em português sugere, fica a pergunta se a pessoa que traduziu para o português havia visto o filme. Fora isto não há muitos defeitos na fita, toda ela realizada com muita competência pelo promissor diretor de apenas 33 anos, que vem conquistando um lugar no primeiro escalão de Hollywood.

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101° POST!!!

É com extremo orgulho que comunico aos meus  fieis leitores que chegamos a incrível marca de 100 posts.

Quando comecei a escrever no site achei que fosse uma coisa passageira e que logo desistiria, entretanto em pouco tempo a audiência só aumentou, fazendo com que tivesse que me dedicar quase que integralmente ao blog.

O site também contribuiu bastante para minha carreira, hoje escrevo para dois veículos importantes da internet são eles o site http://www.almanaque virtual.com.br e o site www.cinema10.com.br.

Não teria conseguido nada disso sem vocês…

Muito obrigado e continuem entrando no site.

Um forte abraço à todos.

Att. Bruno Marques

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