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Archive for setembro \30\UTC 2010

Líbano

Sinopse: Em junho de 1982, durante a primeira Guerra do Líbano, quatro jovens soldados israelenses são enviados a uma pequena cidade em busca de guerrilheiros escondidos. Confinados em um tanque, o atirador Shmuel, o comandante Assi, o carregador Herzl e o motorista Yigal são levados a seus limites psicológicos e emocionais. Tentando não sucumbir à claustrofobia, vêem através do binóculo de observação uma terra arrasada, repleta de corpos e desespero. Sua missão, aparentemente simples, termina por sair do controle, e eles tem que resistir para não perder a humanidade. Leão de Ouro no Festival de Veneza 2009.

Crítica: Vencedor do Leão de Ouro de 2009, Líbano (2009), explora os limites da resistência humana ao mostrar a dura realidade de quatro soldados israelenes confinados em um tanque de guerra durante a invasão do Líbano em 1982.Dirigido por Samuel Maoz, que serviu durante a guerra, o longa consegue reproduzir uma forte sensação claustrofóbica do ambiente utilizando poucos recursos para reproduzir a sensação de estar preso no meio do tiroteio.


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Guerra Civil

Por Bruno Marques

30/09/2010

Longe de ser um película sobre bombas e metralhadoras, Guerra Civil (2010), dirigido pelo estreante Pedro Caldas, trata-se de uma obra sem grandes pretensões, que prima pela simplicidade e ritmo contemplativo, além de personagens cuja as motivações não são tão diferentes de qualquer ser humano que já se apaixonou. Tamanha simplicidade, entretanto, não deve ser percebida como defeito, pelo contrário, alguns bons diretores levaram uma vida inteira para conseguir a maturidade que o diretor português conseguiu demonstrar em seu primeiro longa-metragem.

Toda a história se desenvolve no ano de 1982, época da efervescência cultural das bandas de Rock de Manchester. Influenciado pelo comportamento de Ian Curtis, Rui (Francisco Belard) difunde a imagem de jovem depressivo e anti-social, andando pelas ruas acompanhado do seu rato de estimação e usando roupas escuras, até o momento em que Joana (Maria Leite), uma menina da mesma faixa etária, se aproxima, iniciando uma relação que mudará o destino do jovem.

É nesse momento que a historia cresce, pois,  contrastando com a personalidade fechada do menino, Joana vive  o lado positivo da vida, o que, com o desenvolver da trama, exerce influência no comportamento de Rui, que aos poucos vai se abrindo para o universo. Paralelamente, Pedro Caldas apresenta a relação extraconjugal da mãe do rapaz (Catarina Wall), que vive um casamento de aparências, dando um segundo olhar  sobre a imprevisibilidade do amor.

Para apresentar este segundo conflito o diretor faz uso de uma desconstrução temporal, como no clássico Cult “Pulp Fiction”, na tentativa de mostrar as mesmas ações sob o ponto de vista da mais velha, Contudo, ao contrário do longa de Quentin Tarantino, este artifício não quebra o ritmo linear do roteiro, já que o salto temporal exerce pouca influência na percepção da trama.

Considerando que o diretor consegue segurar a curiosidade da platéia sem nunca recorrer a uma fórmula fácil, pode se dizer que a fita consegue cumprir bem o seu papel, deixando a impressão de ser proposital a forma arrastada como tudo se desenvolve, transmitindo as angústias e incertezas dos personagens se valendo principalmente do uso de imagens para se comunicar com a plateia.

Mostra Expectativa – Festival Do Rio 2010

Guerra Civil
Portugal, 2010. 90 min.
Direção: Pedro Caldas
Com: Francisco Belard, Catarina Wall, Maria Leite, Nuno Romano e Pedro M. Ruivo.

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AGUA FRIA DO MAR

(Agua Fría de Mar)
de Paz Fábrega. Costa Rica / França / Espanha / Holanda / México, 2009. 83min.
Sinopse:No feriado de Ano Novo, Mariana e Rodrigo, jovem casal costariquenho, seguem de carro para a costa do Pacífico. Tarde da noite, enquanto procuram abrigo, encontram Karina, menina de sete anos que diz ter fugido dos pais porque seu tio a molestava. Eles decidem que na manhã seguinte a levarão de volta para a família, acampada na praia próxima à reserva natural. Mas, ao acordarem, descobrem que Karina sumiu e a praia está inundada de cobras marinhas venenosas, expulsas do mar por uma corrente de água gelada. Prêmio do Júri no Festival de Rotterdam 2010.
Crítica: Nada pior que a sensação de ser enganado. É sobre este sentimento que “Água Fria do Mar” porpõe um debate. Calcada no tédio e na monotonia, esta produção costarriquenha, vencedora do prêmio do júri no Festival de Rotterdam, apresenta a originalidade de trair o pacto de reconstrução da verdade entre a produção e o espectador.Quem não souber assimilar bem esta proposta poderá sair do cinema com a sensação de perda de tempo.

Festival do Rio 2010

Premiere Latina – (LEP) – 16 anos
TER (28/9) 15:30 Est Vivo Gávea 4 [GV422]
TER (28/9) 22:00 Est Vivo Gávea 4 [GV425]
SEX (1/10) 15:30 Estação Ipanema 2  [IP237]
SEX (1/10) 19:50 Estação Ipanema 2  [IP239]

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Kaboom

Por Bruno Marques

28/09/2010

Quem acompanha o cinema independente americano sabe que Gregg Araki não é nenhum iniciante. Em sua filmografia constam filmes competentes como o chocante “Mistérios da Carne” de 2004. Porém, sabe-se lá o que passou pela cabeça dele quando decidiu realizar seu longa mais recente, Kaboom (2010), uma fita semi-amadora digna de um estreante recém formado em uma faculdade de cinema.

Se a produção fosse um animal com certeza seria um pato, conhecido como a ave que voa, anda, nada e corre, contudo, realiza qualquer uma dessas atividades de forma mal feita.O mesmo ocorre com esta comédia de humor negro, misturada com soft porn homossexual e terror apocalíptico, que no final das contas não consegue convencer em nenhum desses estilos.

Tudo começa no campus de uma faculdade quando Smith (Thomas Dekker), um jovem emo, se apaixona por Thor (Chris Zylka), seu colega de quarto surfista, passando a ter constantes sonhos eróticos com o rapaz. Enquanto isso, sua melhor amiga Stella (Haley Bennett), inicia uma conturbada relação com Lorelei (Roxane Mesquida) uma sensual bruxa ninfomaníaca.

Após comer um cookie recheado de alucinógenos em uma festa, Smith acaba na cama com London (Juno Temple), uma aventureira sexual que desperta novos sentimentos no estudante, porém os efeitos do biscoito não desencadeiam apenas a mudança da orientação sexual do estudante, pois, logo em seguida, misteriosas alucinações com homens mascarados e assassinatos, passam a afligi-lo.

Essa quantidade enorme de conflitos (que juntos não fazem o menor sentido) poderia ser o ponto de partida para uma série de 15 temporadas, mas com pouco orçamento e apenas 86 minutos para concluir, fica impossível dar um desfecho satisfatório ao roteiro, acreditando que a não compreensão da história possa dar status de “Cult” para o trabalho, como aconteceu, por exemplo, em “A Estrada Perdida” e “Império dos Sonhos” de David Lynch, todavia, é preciso um pouco mais de talento para não fazer de uma trama surrealista uma obra constrangedora em que o riso é a única motivação que faz o espectador continuar na sala de exibição.

Para não dizer que o filme é uma catástrofe total  a atuação de Juno Temple é o ponto alto do longa, sendo a responsável pelas poucas cenas engraçadas. Fora isso, para quem tiver interesse em histórias de bastidores, existe uma forte ligação do romance entre Smith e London, com o relacionamento real entre Gregg Araki, na época homossexual assumido, e a atriz Kathleen Robertson com quem trabalhou em Nowhere.

Mas, se fofocas não fazem parte dos seus interesses, fuja de Kaboom.

publicado no site almanaque virtual

Festival do Rio 2010

Panorama do Cinema Mundial – (LEP) – 18 anos
QUI (30/9) 16:30 São Luiz 3 [SL025]
QUI (30/9) 21:30 São Luiz 3 [SL027]

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Viúva Sempre as Quintas

Por enquanto o grande filme  do festival é, sem dúvida, o longa argentino (prá variar!) “Viúva Sempre as Quintas”(Las Viuvas de Los Jueves,2010), dirigido por Marcelo Piñeyro. A história, baseada no livro de Claudia Piñeiro, mostra o obscuro mundo dentro de um bairro de casas luxuosas na Argentina momentos antes da grave crise econômica que assolou o país em 2001.

O filme evidencia o quanto a dependência de bens materiais podem levar os seres humanos a deixar de lado qualquer tipo de dignidade em troca de uma vida confortável.

Restam apenas duas exibições do filme durante o festival, ambas no cinema São Luiz. Imperdível.


Foco Argentina – (LEP) – 16 anos
TER (28/9) 14:00 São Luiz 3 [SL016]
TER (28/9) 19:00 São Luiz 3 [SL018]

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O primeiro sábado (25) do festival foi marcado pela exibição do documentário português “Complexo: Universo Paralelo”, durante a mostra “Brasil do Outro”, sobre uma das mais violentas favelas do estado do Rio de Janeiro. A sessão lotada no cine Odeon contou com a participação do diretor Mário Patrocínio e seu irmão, o fotógrafo Pedro Patrocínio. Ambos passaram três anos pesquisando o cotidiano da comunidade do Complexo do Alemão na Zona Norte da cidade.

Antes da exibição a emoção tomava conta da plateia, formada tanto por artistas quanto por pessoas da própria comunidade, dentre elas alguns dos personagens retratados na histórias, que tem como ponto de partida a operação policial feita em 2007 em decorrência do plano de aceleração do crescimento – PAC (programa que visa terminar com o domínio do tráfico em comunidades carentes).Um dos mais emocionados era MC Playboy – cantor de funk – , principal personagem da fita, além de ter sido o responsável pelo início do projeto, idealizado após a realização de um videoclipe dentro da favela.

O longa não traz nenhuma grande novidade para o público brasileiro, habituado com a realidade dessas comunidades, porém causará impacto para quem não conhece a dura vida dentro do complexo, onde tiros de metralhadoras, falta de saneamento e fome fazem parte da realidade. Além de MC Playboy, outros dois personagens apresentam este universo: Seu Zé, presidente da associação de moradores e que luta pela ajuda de autoridades para tentar melhorar a vida na comunidade, e Dona Célia, evangélica, catadora de latas, mãe de oito filhos.

Mário Patrocínio parece não querer tomar partido de ninguém, tentando interferir o mínimo possível na realidade dos moradores, porém essa “invisibilidade” acaba acarretando momentos delicados, principalmente quando dá voz aos marginais da favela, deixando a impressão de que os traficantes da região também fazem parte das vítimas da dura realidade.Mesmo não parecendo ser intencional, “Complexo: Universo Paralelo” acaba sendo conivente com o crime organizado, deixando a impressão de que o tráfico não é formado por bandidos, mas por protetores dessa sociedade, o que de certa forma segue o raciocínio de parte dos moradores, mas que nunca deve ser colocado como verdadeiro.

Mesmo assim o filme recebeu uma calorosa salva de palmas ao final da exibição, mostrando que o público gostou do trabalho feito pelos dois portugueses.

Deise Mattos Diretamente do Rio de Janeiro para o site c7nema.net



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Zenitram

Na contramão do bom momento do cinema argentino atual, Zenitram (2010), não parece querer alçar voos maiores que os da diversão fácil, privilegiando o humor pastelão típico de programas de TV. Se parasse por aí o longa, dirigido por Luis Barone, já não seria tão atraente, porém o excesso de parábolas sobre o povo argentino acaba limitando a compreensão por parte de quem não conhece a fundo a forma como os hermanos tratam seus heróis nacionais, resultando em uma produção que faz mais sentido para o povo argentino.

No ano de 2025, durante uma forte crise ambiental, por conta da escassez de água, o lixeiro Rubén Martinez (Juan Minujín) descobre que é o clone portenho do super-homem, quando pronuncia seu sobrenome ao contrário “Zenitram”, segurando suas partes intimas – não espere muitas explicações sobre isso –, se transforma no salvador da pátria de Evita Perón. Orientado pelo ambicioso jornalista Javier Medrano (Luis Luque), Zenitram inicia uma batalha contra a empresa Waterway, responsável pelo controle dos canais fluviais do país, que, por sua vez, tentará corromper o herói usando de artifícios inescrupulosos.

Luis Barone não deixa claro qual é o alvo de suas críticas, por vezes coloca a responsabilidade do caos em cima das grandes corporações, em outro momento culpa o governo, mais adiante o povo argentino, livrando somente os heróis nacionais de qualquer responsabilidade, tidos como injustiçados. Isto fica claro quando Zenitram, após humilhação pública, por conta do uso de drogas, emigra para os Estados Unidos para se reabilitar, em uma clara alusão a Maradona e seus problemas com cocaína.

Mas, os problemas mais graves do longa-metragem são encontrados  principalmente na fotografia muito próxima do amadorismo. Obviamente devem ser deixado de lado os problemas por conta do baixo orçamento, já que os efeitos “especiais” dignos de “Chaves” e “Chapolin” , até dão um certo clima nostálgico ao filme. O que realmente incomoda são os enquadramentos toscos. Em alguns momentos é possível ver o herói sem cabeça, escondida atrás de um plano mal executado, ou uma paisagem em descompasso com o desenvolvimento da história.

Em suma, Zenitram, além dos graves defeitos técnicos, fica no meio do caminho entre o humor rasgado e a crítica social; tentando agrada a todos, acaba não agradando ninguém, deixando, ao final da exibição, a impressão de ser o patinho feio do grande momento que vive o cinema argentino atual.

Foco Argentina – Festival do Rio 2010

Zenitram

Argentina / Brasil / Espanha, 2010. 96 min.

Direção: Luis Barone

Elenco: Juan Minujín, Verónica Sánchez, Jordi Mollà

Publicado no site almanaquevirtual

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