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Archive for agosto \30\UTC 2010

Ninguém Sabe o Duro que Dei

Descontraído, debochado, negro de origem pobre, delator, fenômeno, decadente, alcoólatra, rico, carismático, enfim, fica difícil definir Wilson Simonal, após o documentário “Ninguém Sabe o Duro que Dei”, dirigido pelo trio Cláudio Manoel,  Micael Langer e Calvito Leal, sobre a história do cantor, que foi execrado pela sociedade, pela classe artística e pela imprensa, após ser acusado de colaborar com a ditadura  e que morreu tentando  provar sua inocência.

Esta retratação, extremamente didática, e com defeitos visíveis – como o uso de videografismo excessivo, talvez para esconder a falta de material de acervo – só não é tempo perdido por dar vozes aos dois lados da história que culminou com o desastre profissional do cantor.

A primeira parte não passa de um flashback de todo o auge da carreira do carioca pobre, que descobriu no exército que tinha talento para a música  e que conseguiu feitos incríveis como segurar um coro de 30 mil pessoas no Maracanãzinho, fazer dueto com Sarah Vaughan (sem falar inglês) e receber elogios do mito Giulietta Masina.

Já a terceira parte fica por conta de seu período decadente,  dominado pelo alcoolismo, marginalizado e esquecido, após ser acusado de sequestro e apoio à ditadura.

A resposta para essas acusações está contida em uma das várias versões apresentadas na segunda parte do documentário, quando vozes do meio artístico, pessoas próximas ao cantor e até mesmo os inimigos descrevem sua personalidade. Obviamente é impossível dizer qual dos depoimentos descreve o verdadeiro homem por trás do personagem, ficando a cargo de quem acompanha o documentário descobrir  a verdade.

O certo é que Wilson Simonal foi traído pela sua própria arrogância e por não medir as consequências de suas atitudes. Achou que tinha o mundo aos seus pés e, quando descobriu que tudo  caminhava para um fim trágico, tentou recuar, mas já era tarde demais. Resta saber de qual Simonal fica pra história: o homem ou o mito ?

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Os melhores clipes dos anos 90

Olá, amigos de Portugal,

Saiu, no último dia 23, a lista dos 50 melhores videoclipes da década de 90, segundo o site de música alternativa Pitchfork, recheada de grandes diretores do cinema. O primeiro lugar ficou com “Come to daddy” de Aphex Twin, dirigido por Chris Cunningham, em um trabalho sombrio, em que crianças bizarras passeiam, por uma cidade em ruínas, atormentando uma velha e seu cachorro.

O destaque da lista, contudo, foi o diretor americano Spike Jonze, de “Queres ser John Malkovich?”, aparecendo por nada mais, nada menos, que seis vezes,  representado pelo inusitado “Da Funk”, feito para a dupla francesa Daft Punk, em que um homem-cão anda pelas ruas de Nova Iorque, e pelos retrôs “Sabotage”, do The Beastie Boys, e “Buddy Holly” do Weezer, que ficou na segunda posição.

Outro que aparece na lista por diversas vezes é o francês Michel Gondry, diretor de “O Despertar da Mente” que alcançou a quarta e a sétima posição com os complexos “Bachelorette” da Björk e “Let forever be” dos britânicos The Chemical Brothers.

Além desses, alguns nomes certos completam do top50. Artistas como os ingleses do Blur , com o bonitinho “Coffee and TV”, Nirvana, e o clipe de duas versões “In Bloom”, Fatboy Slim com o caseiro “Praise you”, e a banda, de um homem só, Nine Inch Nails, com Closer.

Se fosse feita uma lista somente com artistas brasileiros, não poderia faltar “Sangue de Bairro” da banda Chico Science & Nação Zumbi, feito especialmente para  o longa-metragem “Baile Perfumado” de 1996, a simulação de cinema mudo “Ela disse Adeus” dos Paralamas do sucesso e “A Minha Alma”, curta em forma de videoclipe da banda carioca O Rappa.

O top 10:

1. Artista: Aphex Twin
Música: “Come to daddy”
2. Artista: Weezer
Música: “Buddy Holly”
3. Artista: Daft Punk
Música: “Da Funk”
4. Artista: Björk
Música: “Bachelorette”
5. Artista: The Beastie Boys
Música: “Sabotage”
6. Fatboy Slim
Música: “Praise you”
7. Artista: Chemical Brothers
Música: “Let forever be”
8. Artista: UNKLE
Música:”Rabbit in your headlights”
9. Artista: Björk
Música: “All is full of love”
10. Artista: Missy Elliott
Música: “The rain (Supa dupa fly)”

Diretamente do Rio de Janeiro para o site c7nema.net

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Enfim Viúva

Leve como uma pluma
Por Bruno Marques
25/08/2010

Enfim Viúva (Enfin Veuve, 2007), dirigida por Isabelle Mergault, trata-se de uma típica comédia de costumes francesa, que reflete o estilo do país de Balzac de fazer rir, deixando para o acaso a função de condutor que leva aos momentos cômicos. Essas situações, contudo, não transformam seus personagens em meras caricaturas, já que o roteiro expõe as ambiguidades dos personagens de forma bastante coerente.

Vivendo por conta das aparências, Anne-Marie (Michèle Laroque) não suporta mais conviver com seu marido, o cirurgião plástico Gilbert (Wladimir Yordanoff). Mesmo morando em uma rica mansão, possuindo carros luxuosos, móveis caros e uma faxineira, a única coisa que traz prazer para ela é seu relacionamento extraconjugal com o pescador Leo (Jacques Gamblin). Não suportando mais viver essa situação, Anne-Marie decide fugir para a China com seu amante, entretanto, a inesperada morte de seu esposo faz com que ela fique dividida entre manter as aparências ou largar tudo viver seu grande amor.

O elenco afinado somado a direção sem excessos resultam em uma experiência muito agradável, fazendo com que seus 90 minutos sejam pouco percebidos pela plateia. Grande parte do mérito dessa sensação é de Michèle Laroque, que consegue cativar elo humanismo de sua personagem, revezando-se no papel de mãe exemplo e amante sedutora.

De certa forma sua personagem guarda muitas semelhanças com Séverine, papel de Catherine Deneuve no clássico de Luis Buñuel “A Bela da Tarde”, em que uma dedicada dona de casa passa as tardes em um bordel realizando suas fantasias secretas.

Mesmo não contendo a mesma genialidade do  filme de 1967, Enfim Viúva trata-se de uma fita bastante feminina, tendo todos os ingredientes que agradam a esse público, principalmente as casadas, que, de alguma forma, vão se identificar com a protagonista.

Para desespero dos maridos!

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Favela Pop

Chegará aos cinemas brasileiros, no próximo dia 27, a reunião de cinco curtas-metragens  ”5x Favela – Agora por nós Mesmos”, refilmagem do clássico de 1961, na época dirigido por cinco cineastas pertencentes à classe média carioca. A nova versão , contudo, foi realizada por jovens habitantes de favelas cariocas. Produzido pelo experiente diretor Carlos Diegues “Bye Bye Brasil”, o longa gerou grande expectativa,  principalmente após sua exibição durante o último festival de Cannes,  além de ter recebido sete prêmios no recente  Festival de Cinema de Paulínia .
Quem acompanha o nosso cinema sabe que os principais blockbusters  usam essas comunidades como pano de fundo para histórias violentas. Vale lembrar que “Tropa de Elite”, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim  e “Cidade de Deus”, indicado a vários Oscars, fazem parte desse grupo.

Mas, afinal, o que de tão atraente  apresentam as favelas cariocas para despertarem tal fascínio tanto por parte do público quanto dos realizadores?

Talvez a resposta esteja no processo histórico que levou à transformação dessas localidades em verdadeiros velhos oestes contemporâneos, sofrendo sob o domínio do tráfico de drogas e descaso dos nossos governantes.

Sendo assim, essas sociedades, após a virada do século, passaram a despertar maior curiosidade e, com o tempo, glamour, na população “do asfalto” (denominação dada pelos habitantes dessas comunidades  aos moradores de bairros das classes mais altas), E agora essa gente procura uma interação com aquele espaço, por muito tempo esquecido.

A fama, sem dúvida, trouxe muito benefícios a essas populações, que já não são tão excluídas. Pode se dizer que, atualmente, ser favelado (termo, antes, pejorativo atribuído aos habitantes das favelas) é ser pop. Tanto que já foi realizada uma adaptação de ”Romeu e Julieta” em “Maré – Nossa História de Amor” , além de estar programada, para o próximo ano, a sátira “Os Inocentes”,  que contará com roteiro de Rafael Dragaud, coordenador dos textos que serviram como base para “5x Favela” e que pretende zombar de seus próprios clichês.

Segundo a produtora de “Os Inocentes”, Mariza Leão, em entrevista ao site globo.com, a intenção da película não é atacar as produções passadas nessas regiões carentes, já que, como diz a profissional, “Favela não é só banho de sangue”.

A mesma poderia ter concluído seu raciocínio da seguinte forma: “favela também é produto”.

Bruno Marques diretamente do Rio de Janeiro para o site c7nema.net

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A Epidemia (The Crazies)

Beba Dessa Fonte

Por Bruno Marques

18/08/2010

George A. Romero é uma unanimidade no que diz respeito aos filmes de zumbis. Desde o lançamento do  clássico “Noite dos Mortos-Vivos”, realizado no longínquo ano de 1968, sua forma virou  selo de qualidade do gênero, tanto que seu estilo, de tão copiado, acabou se fazendo presente também no universo dos jogos de vídeo-games,  principalmente em  “Resident Evil” e “Silent Hill”.

Contando com tanto prestígio, era de se esperar que A Epidemia (The Crazies,2010), remake do “O Exército do Extermínio” de 1973, seria um prato cheio para os fãs de mortos comedores de cérebro. A realização ficou sob responsabilidade de Breck Eisner, supervisionado pelo próprio Romero, que agora assina a produção executiva. O resultado, não poderia ser mais clichê – na forma mais positiva da palavra -, contando com muita correria, gritos e sangue, atualizando de forma positiva o clássico Cult.

A história é basicamente a mesma. Em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, estranhos fatos começam a acontecer em decorrência do enlouquecimento de alguns habitantes. Pouco a pouco, o casal David (Timothy Olyphant) e Judy (Radha Mitchell), descobre que este mal está relacionado com a água potável da cidade, iniciando uma corrida contra o tempo para salvar aqueles que não foram infectados com o vírus.

Realizado em meio a guerra do Vietnã, o crazies original tinha uma forte questão política envolvida. Alguns teóricos afirmam que o massacre de My Lai – cidade Vietmamita que teve grande parte da população dizimada – serviu como inspiração para o roteiro. Já o atual, contudo, não parece querer perder tempo com teorias da conspiração, seu grande foco é mesmo o divertimento, substituindo esta discussão por fortes doses de suspense. O que não é nenhum demérito, tendo em vista que atualmente não é preciso ir ao cinema para descobrir erros militares americanos.

O detalhe negativo fica por conta da perda da essência underground do original, já que o atual parece ter se levado muito a sério, perdendo assim, o charme dos defeitos especiais, que de certa forma, contribuíam com pausas cômica graças aos seus defeitos especiais.Contudo, nada que estrague o programa.

Para aqueles que curtem pipoca e muito sangue, A Epidemia é imperdível.

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Chegou ao final o 38° Festival de Cinema de Gramado, no estado do Rio Grande do Sul. A premiação  inclui produções brasileiras e latino-americanas, e este ano teve como grande vencedor o longa-metragem ‘Bróder’, dirigido pelo estreante Jeferson De, que além do Kikito de melhor filme e direção, valeu a Caio Blat o prêmio de melhor ator, e chega com força total para concorrer à vaga brasileira para a disputa de melhor filme estrangeiro no Oscar do próximo ano.

Ao longo do festival foram exibidos oito longas-metragens na mostra competitiva, cinco ficções e três documentários. Além de ‘Bróder’, ‘Não se Pode Viver sem Amor’ de Jorge Durán e ‘O último romance de Balzac’ de Geraldo Sarno, chamaram a atenção do júri. Já na mostra estrangeira ‘Mi vida com Carlos’, documentário sobre o período ditatorial de Pinochet, dirigido pelo chileno Germán Berger-Hertz e o nicaragüense ‘La yuma’, sobre uma jovem pobre que nutre o sonho de se tornar lutadora de boxe, ficaram com o prêmio de melhor filme e o Prêmio especial do júri, respectivamente

Já no que diz respeito aos curtas-metragens,  “Carreto”, de Cláudio Marques e Marilia Hughes, sobre um menino que faz serviços de carretos em uma pequena cidade da Bahia, e “Os anjos do meio da praça”, levaram os principais prêmios da disputa, que teve entre seus concorrentes o competente “Mar Exílio” de Eduardo Moroto, filme com boas influências do cinema francês, que aborda a história sobre um home com obsessão pelo mar após a morte de sua esposa.

Confira os principais vencedores:

Júri Oficial – longa-metragem nacional

Melhor filme: “Bróder”, de Jeferson De
Prêmio especial do júri: “O último romance de Balzac”, de Geraldo Sarno
Melhor diretor: Jeferson De, por “Bróder”
Melhor ator:
Caio Blat, por “Bróder”
Melhor atriz: Simone Spoladore, por “Não se pode viver sem amor”
Melhor roteiro: Dani Patarra e Jorge Durán, por “Não se pode viver sem amor”
Melhor fotografia: Luis Abramo, por “Não se pode viver sem amor”

Júri Oficial – longa-metragem estrangeiro

Melhor filme: “Mi vida com Carlos”, de Germán Berger-Hertz
Prêmio especial do júri: “La yuma”, por Florence Jaugey
Melhor diretor: Nicolas Pereda, por “Perpetuum mobile”
Melhor ator: Gabino Rodriguez, por “Perpetuum mobile” e Martin Piroyansky, por “La vieja de atrás”
Melhor atriz: Alma Blanco, por “La yuma”
Melhor roteiro: Pablo Meza, por “La vieja de atrás”
Melhor fotografia: Miguel Littin, por “Mi vida com Carlos”

Júri Oficial – curta-metragem

Melhor filme: “Carreto”, de Cláduio Marques e Marilia Hughes
Melhor direção: Rodrigo Grota, por “Haruo Ohara”
Prêmio especial do júri: “Os anjos do meio da praça”, de Alê Camargo e Camila Carrossine
Melhor ator: Flávio Bauraqui, por “Ninjas”
Melhor atriz: Elisa Volpatto, por “Um animal menor”
Melhor roteiro: Cláudio Marques e Marilia Hughes, por “Carreto”
Melhor fotografia: Carlos Ebert, por “Haruo Ohara”

Bruno Marques diretamente do Rio de Janeiro para o site c7nema.net (Portugal)

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Caché

Sequência não oficial de “Código Desconhecido” e “Violência Gratuita”, Caché (2005), dirigido pelo austríaco Michael Haneke, retoma o tema da influência da imagem na vida do homem contemporâneo. Novamente interagindo com o espectador, deixando no ar a sensaçâo de que o único vilâo da história somos nós mesmos.

É fato que vamos ao cinema para ver o sangue jorrar, queremos que o herói sofra o pão-que-o-diabo-amassou para no fim fazermos mea culpa com happy end. Porém o diretor não isenta nenhuma responsabilidade ao público, lembrando a todo momento que nós queremos ver o sangue rolando, tanto que se fosse o contrário trocaríamos de canal.

A História é muito simples. Um dia, sem menor aviso, Georges Laurent (Daniel Auteuil) e sua esposa Anne (Juliette Binoche) recebem uma fita na porta de casa, junto um desenho macabro de um menino ensanguentado. Nela está contida apenas a fachada de sua casa filmada durante horas e sem grandes movimentos de câmera. Esta “brincadeira” ganha uma proporção muito maior graças ao clima de inquietação vivido pelos habitantes da cidade luz. Com a chegada de uma segunda fita, Georges passa a suspeitar que problemas de sua infância são a chave para o enigma.

O filme guarda muitas semelhanças com “Janela Indiscreta” clássico de Alfred Hitchcock e ” A conversação” de Francis Ford Coppola. Contudo estas influências marcam apenas o núcleo do tema já que o processo migratório desordenado francês também ganha muito espaço na trama.

Não fique com vergonha se não entender muita coisa na primeira vez que assistir ao filme, é necessário conhecer um pouco da obra do diretor para assim conhecer os atalhos para a compreensão do longa. Com toda certeza um clássico contemporâneo.

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