Feeds:
Posts
Comentários

Archive for outubro \28\UTC 2009

A Fita Branca

A origem do mau

Por Bruno Marques

28/11/2009

Uma vez conversei com um jovem alemão sobre a segunda Guerra mundial e os motivos da ascensão no nazismo naquele país. Estávamos em uma mesa de bar, eu me encontrava de férias no nordeste, conosco havia outros europeus dentre eles noruegueses e suíços, o clima estava descontraído até entrarmos nesta discussão. Argumentei que a culpa para todo aquele terrível massacre não caía somente nas costas da alta cúpula nazista, mas também nas costas do povo alemão. Todos ficaram calados na mesa, com exceção de mim e do jovem alemão. Obviamente o clima se tornou pesado, ninguém tomou partido de nenhum dos dois lados e a discussão se concentrava entre eu e o jovem. Mesmo com os argumentos dele não voltei atrás no que havia dito, era a minha opinião e não estava disposto a mudá-la. O jovem então argumentou que tudo aquilo que ocorreu era encoberto pelas autoridades e pelas mentiras que eram transmitidas pelos meios de comunicação, alegava que o chamado povo ariano não poderia interceder pelo povo judeu já que não sabiam o que estava acontecendo. Aquele argumento não me convenceu. Como um povo pode assistir a fatos tão estranhos como o sumiço de comunistas, judeus e homossexuais, todos inocentes, o fim da oposição ao partido Nazista e uma Guerra que a cada dia se tornava maior. É claro que a propaganda nazista era muito bem feita, exemplo maior de todos é o filme “Olympia” de Leni Riefenstahl inegavelmente um dos maiores documentários de todos os tempos. Porém como podia ninguém saber de nada?

Uma questão sempre me deixou intrigado: Porque na Holanda a população não aceitava o nazismo imposto, tanto que todo o povo Holandês decretou greves e manifestações públicas em repúdio as atrocidades cometidas nos campos de concentração. É claro que a discussão não chegou a um consenso, mudamos de assunto e voltamos a beber.

Anos depois, acredito que o novo filme de Michel Haneke pode ser mais um argumento em que posso apoiar meu ponto de vista, “A fita Branca” (Das Weisse Band, 2009), levanta a questão sobre a origem do que viria se tornar o anti-semitismo alemão na segunda grande guerra. O filme retrata o cotidiano de uma pequena aldeia alemã as vésperas do começo da primeira guerra, fazendo um panorama daquela sociedade, que era  extremamente reprimida e que está quase sempre a beira da desgraça causada pela inveja, ódio e preconceito.

Essas reflexões começam a ocorrer a partir de um estranho acidente sofrido pelo  médico da cidade, em seguida fatos estranhos como morte de pessoas, castigos e humilhações começam a ocorrer com certa freqüência, quase sempre encobertos pelos próprios cidadãos.

O filme lembra bastante “A Vila” do diretor indiano M. Night Shyamalan, tanto no que diz respeito ao próprio visual do filme quanto na retratação de uma sociedade dominada pelo medo. Entretanto o filme de Haneke não é ficcional como “A vila”, acredito que os fatos retratados possam ter ocorrido em algum lugar da Alemanha, pois somente uma população como aquela apresentada em “A fita Branca” poderia aceitar passivamente um governo como o de Adolph Hitler. Não quero generalizar de forma alguma a população alemã, acredito que nem todos aceitavam o que acontecia, mas grande parte dela era conivente e sabia o que estava acontecendo.

Além da excelente discussão o filme conta com grandes atuações como a do Pastor vivido por Burghart Klaubner de “Adeus Lenin” e “O leitor”, assim como as performances extremamente assustadoras de todas as crianças do filme. A fotografia em preto e branco acentua o tom sinistro da trama, o negro quase sempre é intenso já o branco sempre é brilhante, representando de certa forma toda a obscuridade por trás daquela sociedade, que em primeira vista aparenta ser nobre e que guarda em seu interior uma terrível verdade.

Talvez “A fita branca” seja o melhor filme do diretor austríaco que já havia realizado ótimos filmes como “Caché” e “Violência gratuita” (por duas vezes). Uma direção que prima pela tensão e que nos deixa angustiados do início ao fim, além de mexer em feridas que nunca cicatrizam, um filme impossível de se ficar indiferente.

 

Nota: Ouro

white-ribbon

Anúncios

Read Full Post »

UP – Altas aventuras

Título no Brasil:  Up – Altas Aventuras
Título Original:  Up
País de Origem:  EUA
Gênero:  Animação
Classificação etária: Livre
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento:  2009
Estréia no Brasil: 04/09/2009
Site Oficial:
Estúdio/Distrib.:  Buena Vista Pictures
Direção:  Pete Docter / Bob Peterson

Elenco

Edward Asner … Carl Fredricksen (voz)
Christopher Plummer … Charles Muntz (voz)

Nota: 7,0

Em 1995 a Pixar lançou em parceria com a Disney o primeiro filme totalmente digitalizado: Toy Story, 19 anos depois o estúdio que antes era apenas um braço da Wall Disney Pictures, hoje se tornou o cérebro da empresa que criou o Mickey Mouse, tanto que hoje em dia a Disney praticamente abandonou as animações em 2D antigo carro chefe da produtora passando a investir no 3D como seu principal produto. E Não é para menos, a qualidade visual dos filmes em 3D da Pixar evoluem a cada dia mais e mais, prova disso é “UP – Altas Aventuras” um filme visualmente magnífico e com um roteiro muito engenhoso. Conta a história de Carl Friedricksen um velhinho de 78 anos que sonha em um dia partir para a América do Sul para viver ao lado de uma catarata na Venezuela (catarata de Salto Angel, com praticamente 1000 metros de altura).  Próximo de ser jogado em um asilo e tendo que conviver com os problemas da cidade grande ele parte para uma grande aventura voando em sua própria casa presa a balões de gás, junto dele Russel um atrapalhado escoteiro. O filme investe em um roteiro cômico mas com momentos bastante dramáticos, mas com uma ótima moral, do tipo nunca desista de seus sonhos, nunca é tarde para recomeçar e toda aquela qualidade educativa dos filmes da Disney. Mas com algumas mudanças significativas se comparado a sucessos como  “A branca de Neve e “A Bela e a fera”, agora os chatíssimos números de música e dança não são usados, muito menos heróis ingênuos e vilões maquiavélicos e inteligentes, agora as animações se prendem a roteiros mais humanos e personagens mais ambíguos como foi feito nos ótimos “Procurando Nemo” e “Wall-e”. UP é um filme muito agradável e tem um selo de qualidade da Disney mas com um toque de criatividade da sempre inovadora Pixar.

up

Read Full Post »

A Guerra do Fogo

A Guerra do Fogo

La Guerre du feu

81 minutos

França e Canadá

Dir.: Jean-Jacques Annaud

Elenco

Everett McGill

Rae Dawn Chong

Ron Perlman

Nameer El Kadi

Nota 8,0

Quem já viu ao filme “2001 – uma odisséia no espaço” vai estar um pouco familiarizado com os hominídios pré-históricos que protagonizam o filme franco-canadense “A guerra do fogo”. O filme se passa à pelo menos 80.000 anos antes de cristo e como obviamente não se tinha jornal, youtube ou registro em Vhs da época o filme é todo uma especulação da fase em que o homem aprendeu a dominar o fogo. O roteiro descreve a jornada de três companheiros de uma tribo a procura do elemento, já que estes não sabem como fabricá-lo. Na tribo em que eles pertenciam o fogo era coletado da natureza e “cultivado” até que ele se apague, por não saber que se tratava de um fenômeno natural eles atribuíam ao elemento uma espécie de milagre sobrenatural enviado por Deuses. Durante a cansativa jornada e  muitos conflítos um dos três se apaixona por uma mulher de outra tribo e esta relação mudará os rumos de toda a história. Acho que já falei bastante sobre o filme que é todo falado em uma língua pré-histórica desenvolvida pelo escritor J.H. Ronsny Jr. autor do livro em que o filme se baseia, podendo ficar cansativo se revelar mais informações. Quem se interessa pelo assunto  alem de assistir ao filme vale a pena ler o livro “Armas, Germes e Aço” de Jared Diamond que fala sobre a origem do poder de determinados continentes e países frente a outros ao longo dos séculos. Já quem não tem curiosidade de saber como o fogo foi descoberto fuja do filme pois serão 2 horas de puro tédio.

l guerre du feul

Read Full Post »

Coco Antes de Chanel

Título: Coco Antes de Chanel

Título Original: Coco Avant Chanel

Direção: Anne Fontaine

Ano: 2009

País: França

Elenco: Audrey Tautou

Alessandro Nivola

Benoît Poelvoorde

Nota: 6,5

Coco Chanel é para a moda o que Marx é para o comunismo ou Pelé é para o futebol, mesmo assim pouco ouvi falar da estilista. E é para você que assim como eu não entende nada de moda que o filme “Coco antes de Chanel” (Coco Avant Chanel,2009) deve agradar. Já quem conhece a história da estilista e conhece sua vida polêmica e sabe o que ela representou no que diz respeito a revolução da indumentária feminina que ela causou no início do século, acredito que não será um filme tão marcante.

Até porque como já diz o nome, o filme precede os anos em que a estilista entrou definitivamente no mercado da moda e acumulou fortuna não só com roupas, mas também com cosméticos, chapéus e que acima de tudo vendia uma nova atitude para as mulheres do século XX.   

O filme é dirigido pela diretora (ainda desconhecida por mim) Anne Fontaine, que retratou sua biografia de forma bem didática, querendo ser o mais clara possível ao retratar a vida de uma menina órfã que vive em um orfanato e vai se especializando no mundo da costura, passando pela fase em cantava em bordeis, e por seus relacionamentos amorosos com poderosos aristocratas franceses até seu  estrelato. Eis que exatamente no momento em que começa a ascensão de Coco é que o filme acaba.

O filme me fez lembrar “Maria Antonieta” da diretora Sofia Coppola, filme que precede a revolução francesa e que acaba exatamente no momento em que o “circo pega fogo”. “Coco antes de Chanel” acaba deixando de fora as grande polêmicas da vida da estilista, como sua  colaboração com o terceiro Reich,sua prisão e fuga após o termino da segunda grande guerra

(alguns autores atribuem sua rápida libertação às relações com o duque de Westminster, amigo de Winston Churchil) e exílio na Suíça.  Obviamente quem vai ao cinema e já conhece as criações de Coco Chanel também espera ver durante a projeção os trajes casuais, brim, combinações de trajes femininos inspirados em trajes masculinos, entre outras criações, vai se decepcionar bastante com o filme, pois ele é bem “econômico” ao mostrar as obras da estilista.

Tecnicamente o filme é muito bem feitinho, mas sem nenhuma grande inovação estética, lembra bastante um filme para a TV. Audrey Tautou, a queridinha do cinema francês,  incorpora sem excessos  a personagem principal, caracterizada por seu ar sempre sério, seu chapéu coco e seu cigarrinho caído no canto da boca. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o figurino, ironicamente não os que representam as criações de Coco mas os que retratam a época que ela modificou. Os belíssimos chapéus e vestidos com seus espartilhos bem apertados, assim como toda a roupa masculina, em um trabalho de grande qualidade.

O filme não deixa a desejar a nenhuma biografia politicamente correta das que normalmente chegam aos nossos cinemas,  se não é um grande filme, vale a pena para conhecer um pouco do embrião que se transformou em uma das mulheres mais importantes do século passado. O filme poderia ter seguido os passos de uma outra adaptação francesa que  recentemente rendeu o Oscar de melhor atriz para Marion Cotillard: “Piaf – um hino ao amor”, filme que se contrapõe a mesmice das biografias que lembram bastante as histórias contadas pela vovó. Fica agora a expectativa para o outro filme sobre a estilista lançado neste mesmo ano “Coco Chanel & Igor Stravinsky” e que mostra a fase posterior ao filme de Anne Fontaine.

coco_avant_chanel

Read Full Post »

Face a Face

Nome: Face a Face

Nome Original: Ansikte Mot Ansikte

ano: 1976

direção: Ingmar Bergman

 atores:

 Liv Ullmann

Erland Josephson

Aino Taube

Nota: 8,5

Nesta sexta-feira contrariando a lógica das pessoas que saem para uma balada ou um choppinho, fiquei em casa assistindo a um dos filmes do meu diretor predileto: Ingmar Bergman. O filme chama-se “Face a Face” de 1976, e como era de se esperar não tem o menor clima de sexta-feira, o filme é depressivo, pessimista e maravilhoso. Como de costume nas abordagens do diretor o ponto central pode ser resumido em uma pergunta: “O que diabos nos estamos fazendo nesse mundo?”, a resposta obviamente não vai ser encontrada nem nos filmes dele muito menos no vaticano ou na cidade de Meca, mas pelo menos o sueco nos oferece uma visão extremamente-realista sobre a condição humana. Mais uma vez o filme tem como protagonista sua musa predileta, Liv Ulman, que em “Face a Face” simplesmente da um show de interpretação protagonizando uma psiquiatra que pouco a pouco vai submergindo em sua depressão até chegar a loucura. Poucos são os artistas (em todas as artes) que realmente conseguem transmitir um sentimento ou um estado de espírito através de sua obra, Bergman como em todos seus filmes consegue nos transportar para dentro da tela fazendo com que agente entre em sintonia com o estado de espírito de seus personagens. Neste filme especificamente o mundo dos sonhos e dos delírios são representados de forma bastante coerente, Quem nunca teve um pesadelo em que não conseguia acordar? Ou um sonho em que esta com medo sem saber o motivo? Por isso Bergman foi quem foi, um artista comparado a Shakespeare e Beethoven, o único gênio da história do cinema, pois ele conseguia como ninguém transmitir sentimento através de suas obras. “Face a Face” é uma prova de sua competência.

10004

Read Full Post »

Whathever Works

Título no Brasil: Tudo Pode Dar Certo

Título Original: Whatever Works

 País de Origem: EUA / França

Gênero: Comédia

Tempo de Duração: 92 minutos

Ano de Lançamento: 2009

Site Oficial: Estúdio/Distrib.

 Califórnia Filmes

Direção: Woody Allen

Larry David … Boris Yellnikoff

Adam Brooks … Boris’ Friend #1

Lyle Kanouse … Boris’ Friend #2

 Michael McKean … Joe –

Boris’ Friend #3

Clifford Lee Dickson … Boy

 Nota: 6,0

Depois do grande sucesso de seus filmes Londrinos e de seu filme Catalão, Woody Allen resolveu voltar as origens, voltou para Nova Yorque, mesmo não sendo definitivamente, já que não esconde que somente fora dos EUA consegue arrecadar alguma grana para produzir seus filmes.

“Whatever Works” no original, como quase todos que se passam em Manhattan conta a história de um homem neurótico, ateu, judeu, gênio, velho, existencialista e infeliz no amor. Personagens que o diretor tem a “cara de pau” de dizer que não são inspirados nele mesmo, pois  Allen se encaixa perfeitamente em todas estas características dadas acima.

Boris, protagonizado pelo roteirista de Sinfield, Larry David,  é um velho rabugento que olha o mundo sempre pelo lado ruim, viver para ele é como morar no inferno, este inferno constitui em jogar xadrez nas pracinhas de Manhattan, conversar sobre arte com seus amigos e beber bons vinhos ( imagina o que ele acharia da vida se morasse na Baixada fluminense). Certo dia encontra em sua porta uma linda menina do interior que suplica para viver com ele, no princípio Boris se nega a viver com uma mulher, mas aos poucos vai cedendo. Os dois vivem felizes até a chegada da mãe da menina, que irá fazer de tudo para terminar com a relação do casal.

Daí em diante os excelentes diálogos  dão a tônica do filme, já que visualmente a produção não é nada inovadora, entretanto as  boas piadas e as reflexões existenciais  salvam o filme. Woody Allen hoje em dia já não se aventura mais como fazia antigamente, pois já sabe o que dá certo e errado em seus projetos, se antes ele queria ser um Bergman ou um Fellini, hoje o nova-iorquino faz filmes usando os artifícios que tem de melhor, resultando em comédias um tanto quanto ceticistas.

“Tudo Pode Dar Certo”, não se trata de um dos grandes filmes do diretor, como o próprio Boris revela no início da trama, pelo menos não compromete a carreira de Woody Allen.

whatever_works

Read Full Post »

RICKY

RICKY

90 mim

Direção: Francçois Ozon

Comédia / Drama

2009

FRANÇA / ITALIA

 

 

Nota 3,5

Tenho assistido a muitos filmes do diretor François Ozon. Se você acompanha esse blog pode reparar que constam posts dos filmes “8 mulheres” e “sob a areia”, alem de “5 X amor” (muito bom e “Swiming pool” (chato) que ainda não comentei mas já assisti. O último filme do diretor foi um dos indicados para o Urso de ouro do festival de Berlin, sabe se lá o que levou o júri a indicá-lo. O filme é o mais fraco entre todos que assisti, tanto que dormi no meio da exibição. O filme conta a história de uma mãe solteira que trabalha em uma fábrica e se envolve com um novo amor. Desse relacionamento nasce Ricky, o bebe que dá nome ao título. Inexplicavelmente o garoto começa a criar azas e outras travessuras fantásticas, e é só isto. Não encontrei nada de tão atraente no filme, tanto que dormi. Mesmo assim acordei a tempo de assistir o final que é bem previsível. Não perca seu tempo.

ricky

Read Full Post »

Older Posts »