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Archive for novembro \25\UTC 2010

Os Outros Caras

Os Outros Caras

Por Bruno Marques

25/11/2010

 

Fique atento as metáforas. Este é o principal conselho que deve ser dado aos espectadores de Os Outros Caras (The Other Guys,2010) dirigido por Adam Mckay, estrelado por Mark WahlbergWill Ferrell. Este aviso deve ser levado em conta logo nos minutos iniciais, quando uma incrível cena de ação, protagonizada pela duplaSamuel L. JacksonDwayne Johnson (em competentes participações especiais), deixa a impressão de que tiros, explosões e batidas de carro serão as tônicas da película.

 

A trama acompanha dois detetives fracassados, Allen Gamble (Ferrell) e Terry Hoitz (Wahlberg). Ambos vivem à margem do sucesso de Danson (Johnson) e Highsmith (Jackson), até que um inesperado acidente faz com que os dois partam dessa para melhor, abrindo espaço para que os dois perdedores assumam um importante caso envolvendo o empresário do mercado imobiliário: Ershon David (Steve Coogan). Porém a falta de talento dos dois tiras acabará colocando em risco as investigações.

 

O roteiro não é tão diferente de outras sátiras de filmes policiais. Contudo, o forte da trama é a capacidade de empilhar uma grande quantidade de piadas sem deixar perder o fôlego. Este resultado só foi possível devido a excelente química entre os dois protagonistas, principalmente Ferrell, que dessa vez (pasmem) deixou de lado suas caretas e passou a investir em um humor mais inteligente, como no momento em que discute com seu parceiro uma brilhante metáfora sobre o confronto entre um leão faminto no meio do oceano contra um grupo de atuns indefesos. Esta parábola de certa forma sintetiza toda o argumento da produção que tenta provar que milhões de pessoas aparentemente sem talento são mais poderosas que um único talentoso. Já MarkWahlberg, que em “Os Infiltrados” e “Boogie Nights – Prazer sem limites” já havia provado ser um ator acima da média, dessa vez mostrou que também se sai muito bem como ator-escada para as piadas de Ferrell.

 

Entre erros e acertos o resultado de Os Outros Caras é positivo já que o longa consegue fazer rir e em determinados momentos oferece boas cenas de ação, tudo isso envolto em uma embalagem que remete situações absurdas comumente vistas em história em quadrinhos.

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Deixe a pipoca de lado, não perca tempo desligando o celular, muito menos procurando um lugar melhor para sentar, pois perder a sequência de abertura de ‘A Rede Social’ (The Social Network, 2010) é deixar de conferir o ponto alto do longa. Nestes primeiros momentos é preciso ficar atento a excelente apresentação de Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), personagem que, em poucas cenas, sintetiza a primeira geração pós-internet, formada por jovens que carregam em sua personalidade marcas das influências do mundo cibernético atual.

A incrível capacidade de concisão na introdução da história  é mérito de David Fincher, diretor do longa, que desta vez apresenta um trabalho  mais inimista se comparado aos visualmente  frenéticos: Clube da Luta e Seven. Pode se dizer que este é o seu filme mais “estático”, já que poucas são as vezes que seu estilo, fortemente influenciado pelos videoclipes que dirigiu, está presente.
Basicamente toda a história se passa em uma sala de reuniões onde batalhas judiciais pela patente do facebook são travadas. Tudo isso poderia ser muito monótono se o roteirista Aaron Sorkin (Questão de Honra) optasse pelos discursos técnicos presentes no julgamento. A opção por uma análise calcada tanto na personalidade do protagonista, quanto na procura dos motivos que levaram o programador a revolucionar a forma como os seres humanos se relacionam contribuiu para que, mesmo para aqueles que nunca acessaram o website, acompanhasse os desenlaces da trama sem grandes dificuldades.

Tudo começa em 2003 quando Zuckerberg, deprimido pelo termino do seu relacionamento, resolve difamar a moça em seu blog e derrubar a rede da universidade de Harvard. Os eventos acabam dando certa notoriedade ao jovem dentro da grande rede. Poucos dias após os fatos, Zuckerberg  é procurado pelos gêmeos Winkelvoss (Armie Hammer, em atuação exemplar), dois jovens playboys que pretendem lançar uma nova rede social formada por alunos do campus da universidade.

A ideia do site motiva Zuckerberg a elaborar, ao lado de seu melhor amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield),  uma nova forma de executar o projeto dos irmãos de forma independente. O resultado é o The Facebook, um sucesso estrondoso que logo rompe as fronteiras do campus.

A biografia por si só não justificaria uma adaptação para o cinema, ainda mais sendo lançado em circuito comercial. Outro fator que poderia ser um empecilho é o fato de que todos os protagonistas reais ainda estão no meio do processo – o facebook ainda é um sucesso recente – , o que faz com que sintamos a sensação de termos acompanhado uma história ainda sem final definitivo.

Para contrabalancear o excesso de diálogos, a trilha sonora de Trent Reznor (Nine Inch Nails) exerce a função de musicar o ritmo frenético da fala de Zuckerberg, transformando seus diálogos em verdadeiras literaturas de cordel em formato eletrônico.

Sem dúvida, contudo, o maior mérito ficou por conta da escolha dos jovens atores. Especialmente Jesse Eisenberg e o cantor pop Justin Timberlake, que interpreta o carismático vilão Sean Parker, co-fundador do Facebook e criador do Napster, e mostrou que seu talento para a grande tela é igual, ou até mesmo maior, que seu talento nos palcos.

Não dá para saber ao certo se  ‘A Rede Social’ será interpretado pelo grande público como fonte de estudo sobre o mercado das mídias sociais  ou simples entretenimento. Mesmo assim, é o mais próximo que a diversão pode chegar de uma história que se passa na maior parte do tempo dentro do monitor de um computador.

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A Novela das Oito

Começam as filmagens de A Novela das Oito, novo longa de Odilon Rocha

 

Aqui no Brasil as telenovelas são verdadeiras paixões nacionais. São três os tradicionais horários em que elas são apresentadas, cada qual com um tipo de perfil de telespectadores diferente. Normalmente as novelas do horário das 18 horas são voltadas para o público da terceira idade, por conta disso é privilegiado assuntos que correspondem ao interesse desse tipo de audiência, como temas históricos e religiosos. Já o horário das 19 horas é voltado para  quem acaba de chegar em casa após mais uma jornada de trabalho e quer assistir à uma boa comédia.

O último horário (20 horas) é apresentado temas que correspondem ao interesse da maior parcela da sociedade, como romances entre personagens de diferentes classes sociais e brigas familiares. Para se ter uma ideia do enorme sucesso do programa, a atual novela do horário, “Passione”, atingiu, no dia primeiro de novembro, a incrível marca de 40 pontos de audiência, 36 à frente da segunda colocada.

Por conta desse tamanho sucesso, era de se esperar que o tema seria levado aos cinemas. “A Novela das Oito”, novo filme de Odilon Rocha, que iniciou suas filmagens no último dia 6,  pretende realizar  um retrato colorido da estrutura social e política brasileira usando o drama televisivo “Dancin`Days” como ponto de partida. A telenovela, original de 1978,  ditou moda, comportamento e era assunto obrigatório em qualquer reunião.

O roteiro conta a história de um grupo de pessoas que vive entrelaçado no auge da Ditadura Militar. Dora (Claudia Ohana) é uma idealista forçada ao silêncio. Mãe de Caio (Paulo Lontra), ela é a única mulher que Vicente (Otto Jr.) amou. Brandão (Alexandre Nero), é um oficial da polícia federal a favor da ditadura, que por convicções próprias vai perseguir as protagonistas da trama, enquanto que João Paulo (Mateus Solano) vive um executivo que se sente um estrangeiro no seu próprio país.

As filmagens acontecem durante novembro e dezembro em vários locais do Rio de Janeiro, como Pão de Açúcar, Arpoador, Vista Chinesa e em tradicionais bairros cariocas como a Urca e Copacabana.

Matéria publicada no site c7nema.net (Portugal)

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