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Posts Tagged ‘Mark Boal’

Katryn Bigelow (Caçadores de Emoções) conseguiu surpreender todo o grande público quando decidiu encarar um tema absolutamente batido e transformou o “limão podre” chamado “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker,2008) em uma bela “limonada”, cheia de tensão e com personagens com alguma profundidade. Depois da estatueta era de se esperar que o tema não fosse abandonado pela ex-mulher de James Cameron, sendo assim “A Hora Mais Escura” (Zero Dark Thirty, 2012) tem o mesmo clima pesado da confusa guerra contra o terrorismo islãmico.

A narrativa apresenta a rotina de Maya (Jessica Chastain) uma jovem agente da CIA que por uma década, junto de sua equipe, busca pistas que levem ao homem mais procurado do mundo, Osama Bin Laden (OBL para os íntimos). Nessa caçada artifícios como espancamentos, humilhações, quebras de soberania de diversos países e muitas suspeitas infundadas são usadas como artifícios para chegar ao alvo.

Antes de mais nada é preciso deixar claro que desta vez nada surpreende na produção. Todo aquele clima patriótico, olhares reflexivos, herói subestimado, tortura gratuita, vilões de túnicas e um discurso politicamente correto (na visão dos americanos) se faz presente.

Pode parecer atrativo assistir a um filme sobre a caçada do maior terrorista da história da humanidade, todavia fica difícil, por mais que o ótimo roteirista Mark Boal (“No Vale das Sombras”)  se esforce em prender a atenção do público, não ficar entediado em alguns momentos já que o desfecho é sabido por todos.

Jesssica Chastain (do chato Histórias Cruzadas) novamente volta a concorrer à estatueta de melhor atriz, muito surpreendente para uma protagonista pouco carismática e que não mantém uma coerência na sua atuação, as vezes parece frágil como uma formiga, outras forte como um gorila, porém chata na maioria do tempo (a academia parece ter considerado proposital). O elenco de apoio, que conta com bons nomes, dentre eles Mark Strong (Sherlock Holmes) e Mark Duplass (mais conhecido por comédias adolescentes), de tão grande acaba por não abrir espaço para uma segunda opção de protagonista, deixando apenas Jessica como referencia para seguirmos na história.

Sobre as enjoadas discussões sobre a ética que deve se ter na representação do tratamento de prisioneiros por questões terroristas, não acho que exista na trama algum tipo excesso, já que estamos acostumados a ver coisa parecida no cinema atual, além do mais, o tratamento dado aos terroristas na produção foi certamente melhor do que acontece (ou aconteceu) na vida real. Muito se falou nos 20 minutos em que acompanhamos um prisioneiro ser espancado e humilhado por oficiais norte-americanos, simples moralidade cafona.

Exageros à parte, “A Hora Mais Escura” não é um grande filme, não tem grandes atuações e dificilmente será lembrado como o representação definitiva sobre a guerra contra a Al-Qaeda. Está mais para uma produção que embarcou no sucesso do trabalho anterior de Katryn Bigelow e que a consagrou como a primeira mulher a ganhar o Oscar de direção. Para não cometer uma total injustiça o clímax conta com um trabalho de fotografia simplesmente perfeito, vale por esse detalhe.

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