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Posts Tagged ‘Gael Garcia Bernal’

O diretor chileno Pablo Larrain é um dos mais promissores diretores da nova geração do cinema Latino-americano.  “No”, seu novo filme, estrelado por Gael Garcia Bernal, é uma obra com todas as pontas amarradas, desde o roteiro repleto de subtextos, não somente sobre o plebicito que determinou os rumos da política do Chile, mas também sobre questões morais tanto da sociedade, quanto dos meios de comunicação, passando pela criativa fotografia, que lembra muito vídeos caseiros em VHS,  e que dá a impressão de fusão entre imagens da época e o filme encenado de forma tão perfeita que fica difícil saber o que são imagens de arquivo e o que é atual.

Desfecho de uma trilogia sobre a ditadura do país, “No”  faz um contraponto  ao seu antecessor “Tony Manero” (2008), que mostrava um fã de John Travolta se isolando em seu universo  pessoal (ele achava ser a estrela de “Embalos de Sábado à Noite”) em meio ao sangrento período de repressão vivido no governo do general Augusto Pinochet, e que agora mostra como o período otimista da mudança de um governo opressor para um mais democrático transmitiu uma onda positiva a todas os cidadãos.

É nesse contexto que acompanhamos René Saavedra (Bernal), um jovem publicitário, filho de um exilado político, que aceita fazer toda a campanha política do plebicito, defendendo a união dos partidos que não aceitavam que o mandado do atual governante fosse renovado, daí o “No” (não do título), e que com a vitória determinou a volta de eleições diretas e  acabou com 17 anos de mandato do General Pinochet.

Por mais que possa parecer um filme político, “No” ganha mais brilho não com a narrativa dos acontecimentos mas como a execução de uma boa ideia publicitária consegue transformar toda uma sociedade. Antes do início das propagandas todo o estado de espírito da população era o mesmo, tanto por parte dos eleitores defensores do general, quanto dos que defendiam eleições diretas, baseado em rancores do passado, por um lado o terrorismo da oposição, quanto pela repressão do governo. Ao parar de olhar para o passado triste, para assim concentrar a campanha em um futuro alegre, René alavanca a campanha para a vitória.

Ainda assim fica claro que o personagem central não participa afetivamente da campanha, parece  estar mais interessado com a conquista pessoal do que com a mudança em si. Esse excesso de profissionalismo fica visível no brilhante desfecho e na sua relação com seu chefe, vivido por Alfredo Castro (O Tony Manero do filme anterior).

“No” concorre ao Oscar de Melhor filme estrangeiro com todos os méritos. Dificilmente conseguirá o exito por concorrer com “Amor” de Michel Haneke, contudo fica marcado como o melhor filme sul-Americano de 2012.

bebê aplaudeno

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