Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Crítica português’

Todo o burburinho sobre o novo filme de Ben Affleck só se justifica em um ano de tão poucos bons lançamentos e tantas decepções. Mesmo assim, é um ótimo trabalho realizado por esse talentoso ator que acabou se perdendo em grande parte da sua carreira com bombas como “Gigli” e “Demolidor – O Homem Sem Medo”.

Quem acompanha Affleck desde os tempos em que era frequentador assíduo das comédias do diretor Kevin Smith ou de trabalhos brilhantes como o de roteirista de “Gênio Indomável”, sabia do seu potencial, sendo assim “Argo” não chega a ser uma surpresa.

É visível seu amadurecimento na função de diretor, cercado de competentes profissionais, em especial o diretor de fotografia Rodrigo Prieto (da trilogia sobre perdas de Alejandro Gonzales Inarritu), a figurinista Jacqueline West (de “O Curioso Caso de Benjamin Button”) e os atores Alan Arkin (o avô de “Pequena Miss Sunshine”) e John Goodman (frequentemente nos filmes dos irmãos Coen), “Argo” trata-se de um longa necessário como forma de documentação fílmica de um fato histórico até pouco tempo desconhecido.

O roteiro faz um recorte do Período tenso da passagem da década de 70 para 80, quando as relações diplomáticas entre EUA e Irã ficaram tensas e a embaixada americana foi invadida por rebeldes em Teerã, deixando 54 reféns e seis funcionários foragidos na embaixada canadense. Não vou entrar no mérito das causas dessa invasão já que o melhor do filme é o prólogo que explica as causas do conflito de forma ágil e inteligente, usando animações e cenas reais da época.

Em meio a tudo isso, o agente da CIA Tony Mendes (Ben Affleck), chega a conclusão que a única forma de sair da cidade e resgatar os funcionários do consulado é inventando uma grande mentira, realizar um filme de ficção científica no Irã, e assim fingir que os reféns fazem parte da produção com identidades falsas e assim possibilitar a saída do grupo de volta à América. A partir daí a competência do diretor ressurge, quando somos convidados a acompanhar cenas de extrema tensão até o desfecho da trama.

“Argo” tem dois méritos fundamentais que dão razão à tantas indicações ao Oscar, primeiro e a capacidade de Affleck se manter imparcial diante dos fatos, não tomando partido de nenhuma das duas partes do conflito entre os dois países e segundo, conseguir condensar todos os fatos importantes sem tornar o roteiro em uma narrativa política maçante como foi o caso de “Lincoln” de Steven Spielberg, que também concorre a diversos prêmios esse ano, sendo este o melhor trabalho de Ben Affleck tanto como diretor, quanto de ator de toda a sua carreira.

bebe sorri

Captura de tela 2013-02-02 às 07.29.03

 

Anúncios

Read Full Post »


 

Um filme, quando bem realizado, expõe de forma cristalina o estado de espírito do cineasta no momento em que construía sua obra.Vide “Apocalypse Now”, que  exala, em cada fotograma,  o caos que vivia Francis Ford Coppola, quando filmou o clássico , convivendo com surtos suicidas, problemas de relacionamento  com sua equipe, dificuldades orçamentárias, além de seu consumo diário de quilos de cocaína.  

No Brasil, percebe-se em  “Terra em Transe”, dirigido por Glauber Rocha, um misto de frustração e impotência frente ao golpe de 1964, ao fazer uma viagem dentro da consciência de um militante político pós-fracasso de uma revolução socialista. 

Já “A Festa da Menina Morta”, dirigido por Matheus Nachtergaele, deixa a impressão de ser uma obra sustentada pelas descobertas do diretor, como se a nova função estivesse sendo compreendida na prática, haja vista que por muitas vezes seu experimentalismo resulta em perspectivas brilhantes; enquanto, em outros, extrapola o uso de artifícios “artísticos”.  

De toda forma, sendo ou não feliz em suas escolhas, o que realmente importa é a ousadia do cineasta ao tentar  construir uma história “simples” de  modo mais atraente, deixando de lado os artifícios básicos de narrativa, para investir na criação de um estilo próprio. 

E os ensaios do realizador não estão  presentes somente nas cores, nas luzes ou nos enquadramentos.Suas ousadias vão além. A começar pelo roteiro pós-dramático, que observa o fanatismo religioso, usando uma seita miscigenada como estudo de caso.  

O culto em questão é baseado na santificação da menina desaparecida, que teve um pedaço de sua roupa achado por Santinho,  personagem de Daniel Oliveira,  que por sua vez passou a ter status de santo em uma pequena cidade à beira do Rio Solimões.

Não há julgamentos ou respostas, o que importa é o registro de um dos muitos exemplos da religiosidade do povo brasileiro, que, por vezes, engloba diferentes tipos de celebração, saindo do campo espiritual e abrindo espaço para prazeres carnais, como a bebida, prostituição, além de espetáculos teatrais.  

A  teatralidade não fica restrita somente às apresentações artísticas da festa, visto que o culto em si já é fruto de encenações, ficando a cargo de  Santinho, a responsabilidade de criar a ponte entre o mundo físico e o universo sobrenatural da religião.  

Mesmo contanto com excelentes atuações e arrojo visual, “A Festa da Menina Morta” acaba “passando do ponto” em alguns momentos, principalmente  quando insere fatores paralelos que não dizem respeito ao universo da seita, como a relação incestuosa entre Santinho e seu pai (Jackson Antunes), ou quando perde o controle nas cenas de improviso. 

Mas esses pequenos detalhes não apagam a brilhante estreia do ator por trás das câmeras, apresentando um olhar inocente e inquieto, que visa compreender um pouco da religiosidade brasileira, deixando que o público explore esse universo sem impor julgamentos.

 

Read Full Post »

Ao longo dos anos, Tim Burton entrou para o seleto grupo de  diretores autorais de Hollywood, tudo por conta de seu estilo sombrio, claramente inspirado no expressionismo alemão. Prova disso é o resgate dos cenários e ângulos de câmera distorcidos, elaborados por Robert Wiene no clássico “O Gabinete do Dr. Galigari” de 1920. Durante sua carreira, o diretor de 51 anos, transformou Cesare – O sonâmbulo – em Edward (Mãos de Tesoura), e o próprio Dr. Caligari em Pinguim na sequencia “Batman – O Retorno”. Portanto, era de se esperar que “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland,  2010) não teria a mesma  delicadeza da versão animada de 1951.

No entanto, isso não quer dizer que o país maravilhoso não seja atraente, pelo contrário, mesmo  parecendo um grande cemitério, o que mais chama a atenção no longa é o deslumbramento visual que ele causa, com seus imensos campos cobertos por  árvores distorcidas, habitados por personagens bizarros – como a lagarta azul e seu narguilê e o coelho louco – sendo impactante, até mesmo, para aqueles que já se habituaram com os mundos high-tech’s de “A era do Gelo 3” e “Avatar”.

Porém, nem tudo são flores nesta oitava parceria entre Tim Burton e Johnny Deep . Falta carisma aos personagens, conflitos cativantes e risos nas cenas “engraçadas”, ou seja, falta muita coisa para conseguir preencher a grande expectativa dos fãs, causada por meses de espera.

Mesmo não chegando a ser uma decepção total, principalmente por conta da ótima participação de Helena Bonham Carter, “Alice…” está bem abaixo dos melhores momentos da carreira de Tim Burton. Até mesmo Johnny Deep (que mais parece uma versão pós-apocalíptica de Willy Wonka) não parece estar confortável na pele do bizarro chapeleiro maluco.

“Alice no país das maravilhas” se transformou no primeiro grande sucesso da era pós-Avatar, que assim como o filme de James Cameron, agradou mais pelo visual do que pela história contada , levando a crer que o público ainda desfruta das novas possibilidades que o novo 3D trouxe.

Vejamos o que acontecerá quando o público se acostumar com animais e objetos voando para fora da tela.

Read Full Post »