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Posts Tagged ‘Amor Michel Haneke’

 

Não é todo dia que se vê alguém chegar no auge de sua carreira aos 85 anos de idade. Este feito foi conseguido pela atriz francesa Emmanuele Riva, do lendário “Hiroshima, Mon Amour” de Alain Resnais, e que em “Amor” (Amour,2012) do diretor de “A Fita Branca” Michel Haneke, consegue uma merecida indicação ao Oscar de melhor atriz.

Sobre Jean-Louis Trintignant, o outro protagonista, não se pode afirmar que seja seu melhor trabalho já que estrelou clássicos do cinema como “Z” do grego Costa-Gavras e “O Conformista” de Bernardo Bertolucci. Mesmo assim é intrigante os motivos que levaram a academia a não indicá-lo ao premio masculino. Riva e Trintignant Juntos em cena dividem momentos marcantes  e que certamente ficaram marcadas nos anais do cinema do velho continente.

A história parece bem simples à primeira vista. Anne e Georges formam um casal de idosos que vivem uma rotina comum à de um par de idosos. Ambos músicos aposentados, se entretêm entre os afazeres domésticos, passeios pela cidade e conversas sobre o cotidiano. É marcante a sensação de dependência de um pelo outro neste momento, sendo esse fator o que faz suas vidas seguirem adiante.

Essa rotina é completamente modificadas quando Anne sofre um AVC que a deixa paralisada do lado direito do corpo, sendo ainda mais dependente de Georges e de sua filha Eva (vivida pela não menos formidável Isabelle Hupert).

Esse ponto de vira dramática é o que expõe os sentimentos extremos de um marido dedicado e aparentemente conformado com a nova condição de sua esposa, de uma filha ansiosa e de reações afloradas em relação à mãe, e esta, por sua vez, cada vez mais isolada do mundo real. Nota-se um extremo desconforto nas atuações, o que todos os três interpretam de forma muito realista, sendo impossível não identificar pessoas reais que vivem situações parecidas nesta fase tão delicada da condição humana.

Michel Haneke deixa sua marca com cenas que usam a câmera estática, apenas observando as atuações, quase como um teatro filmado, o que dá total liberdade para os atores viverem os dramas de seus personagens. Além disso o clima fúnebre é acentuado com a falta do uso de trilha sonora.

“Amor” é uma das obras primas do diretor austríaco, com certeza é a que tem as melhores atuações e com o desfecho mais marcante, impossível não ficar dias penando nele. Um longa-metragem que é o retrato fiel do fim da vida.

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