Por Bruno Marques
02/02/2011
Dirigido por Vicenzo Natali, realizador do instigante “Cubo” (1997), Splice – A Nova Espécie (Splice, 2009) não é um filme facilmente digerido por todos os tipos de plateia como o pôster pode sugerir, já que esta ficção cientifica necessita que o espectador esteja disposto a se envolver intelectualmente com a história, para, assim, alcançar todas as mensagens que o diretor se propôs a realizar. Isso, contudo, não quer dizer que a película não contenha bons momentos de entretenimento, muito pelo contrário. Seu humor negro e clima de suspense garantem boas doses de satisfação para quem também comprou ingressos à procura de divertimento, desde que esteja aberto a se envolver com a trama, deixando seus preconceitos de lado.
À primeira vista, o roteiro remete ao fraco “A Experiência” (1995). Tudo começa quando os cientistas genéticos Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley) ganham notoriedade ao juntar o DNA de diferentes animais e criam uma nova espécie híbrida. Seguindo seus experimentos, o casal tentará combinar o DNA humano com o da nova espécie, com o intuito de encontrar a cura para doenças graves como o câncer, contrariando a ética do mundo científico. O resultado é uma criatura que mais parece um feto, batizada de “Dren”. Logo o humanóide começa a evoluir se transformando em uma atraente adolescente interpretada de forma impecável pela canadense Delphine Chanéac .
Neste ponto, inicia-se uma gratificante viagem ao fundo de nossas mentes, remetendo à grande fase do gênero (anos 80), em que diretores como John Carpenter e David Cronenberg traduziam nossos sonhos mais bizarros em fotogramas. Em Splice – A Nova Espécie existe uma relação muito forte com o universo dos dois, principalmente com o diretor de “A Mosca” (1986) e “eXisteZ” (1999). Vale para quem não conhece sua filmografia assistir a eles previamente ante de ir ao cinema.
Interpretado por um elenco afinado, Splice – A Nova Espécie é muito mais que um filme sobre seres gosmentos e sustos. Não cabe aqui tentar explicar as reais intenções de Natali com a película e suas diversas camadas de análise, até porque o embrião do roteiro é desafiar nossos cérebros. Quem estiver aberto a essa proposta não se arrependerá. Já que esse será o fator que moverá a curiosidade da plateia até os créditos finais.



Bom te ver de volta na ativa!!