Crise Generalizada
Por Bruno Marques
30/05/2010
O longa-metragem A Casa Verde (2010) pode ser considerado um verdadeiro fenômeno da dramaturgia nacional, porque poucas vezes na história do nosso cinema uma obra conseguiu chegar tão longe ao discutir a crise criativa de um autor.
Porém, isso não garante elogios ao filme, muito pelo contrário, já que esta crise não está presente somente no tema, mas em todos os departamentos da produção, resultando em uma fita que nem mesmo sabe ao certo qual público quer atingir, pois parece muito complexa para crianças e muito boba para adolescentes.
O roteiro assinado Paulo Nascimento (“Diário de um Novo Mundo”), também diretor da película, acompanha um desenhista (Nicola Siri) em crise criativa, que vive pressionado, por sua chefe, a terminar uma história em quadrinhos sobre o confronto entre um professor (Lui Strassburger), que inventa um reciclador de lixo, e Jordão(Zé Victor Castiel), vilão que lucra com a coleta de lixo na cidade.
Paralelamente Nerd 1 (Alice Nascimento), ajudante do professor, cria um Avatar chamado “Eu” (Fernanda Moro) com o intuito de fazer de “Eu” a heroína da história. Enquanto isso o desenhista não consegue mais desenvolver a trama e decide deixar que os personagens comecem a agir por conta própria.
Como podemos observar, na confusa sinopse, nem mesmo os protagonistas possuem nomes, suas distinções são feitas por meio de adjetivos e pronomes. Mas, infelizmente, a falta de inspiração não para por aí. O design tenta mesclar efeitos de animação com personagens reais, contudo consegue apenas transformar os atores em borrões falantes. Os efeitos sonoros lembram sonoplastia de programas humorísticos de quinta categoria. Já no caso dos atores, o que vemos é um desfile de atuações dignas de comerciais de bolachas, em um verdadeiro esforço coletivo na tentativa de reproduzir os mais batidos arquétipos do gênero infantil.
Em suma, se houvesse um prêmio de pior filme estrangeiro no Framboesa de Ouro, A Casa Verde seria o concorrente mais forte da disputa. Todavia, Paulo Nascimento e sua turma terão de se contentar com o título de filme brasileiro menos criativo do ano.


