Doze ano após “Titanic”, James Cameron parece ter aumentado o nível de pretenciosismo das produções que realiza, tanto que hoje o cineasta pode ser considerado o David Lean do século XXI , tanto pelo orçamento quanto pela qualidade das produções que realiza.
A prova disso é Avatar (2009), um verdadeiro mamute cinematográfico, que de tão grandioso eleva o patamar de qualidade a nível nunca visto anteriormente no cinema digital, tamanha a realidade com que a grandiosa Pandora (o mundo em que vivem os humanóides azuis chamados de Na’vi vivem) foi construída, ou em detalhes “menores” como as pernas atrofiadas do protagonista cadeirante .
Porém, todas os grandes cenários, as cores e os efeitos em 3D, não escondem o roteiro manjado, com claras referências a “Matrix” e o mito da caverna de Platão, e épicos fundamentados na receita de bolo chamada “A jornada do Herói”, método também utilizado em “Guerra nas Estrelas” e “O Senhor dos Anéis”, que o público adora. Conta a história de Jack Sully, vivido por Sam Worthington , um ex-soldado americano que desembarca em Pandora com o intuito de servir como cobaia de uma experiência científica que faz com que seres humanos controlem mentalmente o corpo de um Avatar, um ser que representa a fusão entre o DNA humano com DNA Na’vi. Usando desse artifício para infiltrar espiões na sociedade nativa com o intuito de evitar uma guerra entre Na’vis e humanos durante a ocupação de uma área de grande reserva de um valioso minério produtor de energia .
Durante sua empreitada em uma aldeia mística, já como um Avatar, Jake vai gradativamente se apaixonado pela cultura dos seres azuis e por Neytiri (interpretada pela competente e desconhecida atriz Zoe Saldanha), fazendo com que ele tenha que decidir em qual “lado da força” irá atuar.
O filme pode ser dividido em duas partes, a primeira se resume a um grande passeio turístico por Pandora, já a segunda é focada na impressionante guerra entre os dois povos, levando a crer que mesmo com as metáforas sobre o aquecimento global, intolerância entre povos e guerras como a do Iraque e do Afeganistão, a grande pretensão é causar um grande deslumbramento visual no expectador.
Daí as inúmeras cenas gratuitas mostrando a vegetação (que mais parece a mata atlântica em clima natalino), montanhas flutuantes e inúmeros animais estranhos. Sequências como estas não são nenhuma novidade na filmografia do diretor, é só lembrar de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet “voando” na proa do Titanic. Então, o que estavam esperando todos aqueles que criticaram Avatar dizendo que o filme é raso como piscina infantil e deslumbrante como um desfile carnavalesco.
James Cameron tinha mesmo esta pretensão, pois é um diretor sensacionalista, que ganha o pão de cada dia oferecendo ao mundo grandiosas experiências cinematográficas, é só lembrar o burburinho que “O Exterminador do Futuro 2” causou com o até hoje impressionante T-1000, o robô indestrutível feito de “metal liquido”. No mesmo filme também há uma discussão sobre a relação do homem com as máquinas e os riscos do desenvolvimento de uma inteligência artificial se voltar contra nós. Assunto este que se perde assim que começa a correria e as explosões.
Portanto, assim como o filme protagonizado por Arnold Schwarzenegger, Avatar é apenas mais um representante do cinema de entretenimento que Hollywood se acostumou a fazer, estilo do qual o diretor domina completamente. E por mais que digam que ninguém aguenta mais assistir a esse tipo de filme é só ver os resultados das bilheterias que respondem a altura todo o investimento da produção de maior orçamento da história. Portanto, caros leitores, estejam preparados, a franquia ainda está apenas no começo, o cinema de diversão agradece.


É um filme deslumbrante, daí o seu sucesso.